“Por que a Ásia está melhor que a Europa na pandemia? O segredo está no civismo” (Byung-Chul Han)

A segunda onda do coronavírus é mais benigna no continente asiático que no europeu. A explicação, argumenta o filósofo Byung-Chul Han, está na responsabilidade dos cidadãos EL PAÍS, 30 de outubro 2020

Ao ser perguntado sobre como o Japão conseguiu combater a pandemia com tanto sucesso em comparação com o Ocidente, o ministro japonês da Economia, Taro Aso, de mentalidade nacionalista, respondeu concisamente com a palavra mindo, que literalmente significa “o nível das pessoas”. O termo não deixa de ser problemático, pois é empregado no Japão também para apontar sua superioridade nacional. Mindo pode ser traduzido como “nível cultural”.

Esta declaração do ministro da Economia gerou polêmica inclusive no Japão. Ele foi recriminado por se dedicar a propagar um chauvinismo nacional justamente numa época em que a solidariedade mundial é mais necessária do que nunca. Mas, perante seus críticos, Aso defende sua postura de que os japoneses acataram com determinação as rigorosas medidas higiênicas, apesar de o Governo não ter estabelecido multas contra os infratores. Em outros países, as pessoas não conseguiriam se comportar assim, continuava dizendo Aso, nem mesmo se fossem obrigadas.

Antes de qualquer coisa, é preciso dizer que não só o Japão, mas também outros países asiáticos, como China, Coreia do Sul, Taiwan, Singapura e Hong Kong, conseguiram manter a pandemia controlada. A Europa e os Estados Unidos, pelo contrário, estão sendo realmente dominados neste momento pela segunda onda de contágios. Na Ásia, praticamente não houve reinfecções. As cifras de contágios atuais são tão baixas que podem ser desdenhadas. São justamente estes países que demonstram que podemos enfrentar a pandemia com sucesso mesmo se não dispusermos de uma vacina. Enquanto isso, os asiáticos observam com incrédulo pasmo o desamparo dos europeus à mercê do vírus e a impotência com que os Governos europeus tratam de combater a pandemia… [+]


Para ler em diálogo com Cioran, neste Brasil mortalmente “bolsominion”:

“Se um governo decretasse, em pleno verão, que as férias estão prolongadas indefinidamente, e que, sob pena de morte, ninguém deve abandonar o paraíso em que se encontra, produzir-se-iam suicídios em massa e massacres sem precedentes.” (Aveux et anathèmes)

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