“O crânio de Descartes” – Ciprian VĂLCAN

HUMANITAS, n. 139, ano XIV, 2020.[1] Texto de Ciprian Vălcan [2] trad. do romeno por Rodrigo Inácio R. Sá Menezes. [PDF]

Musée de l’Homme, 13 de abril de 2003. Na primavera de 2003, eu estava em Paris por alguns meses, trabalhando na minha tese de doutorado na École Pratique des Hautes Études. De segunda a sábado, passava boa parte do tempo na Biblioteca Nacional de Tolbiac, e aos domingos ia ao museu. Tendo esgotado a lista dos museus que me pareciam realmente importantes,  decidir entrar no Museu do Homem, sem muitas expectativas. Ao chegar à esquerda do Passy à Palais de Chaillot, onde o museu está localizado, tive a impressão de me encontrar em uma pequena cidade romena: me deparei com um monte de vitrines vazias e manequins desnudos, fotografias amareladas pelo efeito do tempo, e uma balbúrdia[3] generalizada que me fez acreditar que um comerciante de mercado de pulgas havia despejado suas mercadorias às pressas só para livrar-se delas e se mandar logo dali. Dava para ver representações de Tuaregs[4] que me faziam pensar na parafernália usada nos filmes de faroeste produzidos na República Democrática Alemã e na Iugoslávia nos tempos da minha infância, lanças de guerreiros Massai,[5] ícones de santos etíopes, leões e crocodilos, casas sobre pilares, fotografias de bruxos camaroneses, camas extravagantes sobre os camelos de beduínos, o trono de um rei do Daomé,[6] um caiaque de pele de foca, vestidos para desfiles, morsas empalhadas, máscaras africanas (de um recém-nascido, de um louco, de um espírito esfomeado), condimentos turcos, uma espada e quatro pares de coletes salva-vidas, uma maquete da ópera de Pequim, estatísticas demográficas, uma casa tradicional da Anatólia, e, ao final, um imenso urso branco retumbando sobre os restos de uma exposição sobre a Hungria da qual só se podia ver alguns cartazes mal afixados. Eu tinha ouvido dizer que o museu estava para ser fechado, mas não teria podido imaginar semelhante desordem que fazia com que aparecessem, a todo momento, os funcionários encarregados de esvaziar as vitrines e transportar seus conteúdos para misteriosas reservas situadas alhures. Eu nunca tinha visto, e tampouco voltaria a ver, um museu que transmitisse aquela sensação de antiguidade e de improvisação ao mesmo tempo, como se todas as peças expostas tivessem sido tiradas por acaso de um depósito de quinquilharias inúteis, ou de um imenso e esquecido container em algum porto no Mar do Norte. Eu saí meio cambaleando do Palais de Chaillot, com uma forte dor de cabeça, absolutamente convencido de que jamais voltaria àquele museu, nem se ele passasse por uma reconstrução e uma renovação jamais vistas na história.

Para minha surpresa, eu soube que o museu continuou funcionando até 2009. Daí, trabalharam em sua restauração durante seis anos e meio, na qual muito dinheiro foi investido, sendo reaberto ao público, enfim, na primavera de 2015, com a presença de François Hollande. Eu havia lido sobre a estrutura do novo museu em Le Monde, Le Figaro e Libération, e tinha ficado espantado com a transformação do antigo ao ultramoderno, mas nem um pouco interessado em ver como o museu teria mudado. As cabeças de uns bárbaros desconhecidos ou as diversas engenhocas[7] interativas, que devem ter dado muito trabalho, não tinham para mim nenhum atrativo. Mas conforme eu estava prestes a concluir que seria um museu para crianças e adolescentes, descobri uma informação que me fez moderar meu juízo: um jornalista do Libération insistia, cheio de entusiasmo, que seria exposto no museu o crânio de Descartes.

Ladrões de crânios. Em julho de 2015, o crânio de Murnau foi roubado do mausoléu de sua família no cemitério de Stahnsdorf. A polícia não conseguiu encontrar pistas que levassem à captura dos ladrões. O crânio do mais conhecido pirata alemão, Klaus Störtebeker, executado em 1401, que tinha cravado nele um imenso machado de ferro e que se encontrava desde 1922 no Museum für Hamburgische Geschichte, foi roubado em janeiro de 2010. A polícia conseguiu encontrá-lo em março de 2011. No início de maio de 2007, o crânio de Kádár János, líder da Hungria comunista dos tempos de minha infância e adolescência, foi roubado de seu túmulo em Budapeste. Os ladrões não foram presos, nem o crânio encontrado. Também já foram roubados, nas mais diversas circunstâncias, os crânios de Beethoven, Sade, Mozart, Goya, Haydn, Descartes, assim como a cabeça mumificada de Henrique IV de França. De Einstein não seria roubado o crânio, mas o cérebro, que viria a ser cortado em aproximadamente 1500 pedaços por Thomas Harvey, médico que fez sua autópsia no Princeton Hospital.

A história mais absurda é a do crânio mumificado de Henrique IV. Em 1793, os revolucionários, possuídos pelo terror, profanam o mausoléu real de Saint-Denis, arrancando os esqueletos de suas tumbas para desmembrá-los. Nem o cadáver de Henrique IV escapa à fúria desencadeada, chegando, dois dias depois, à vala comum, coberto de cal. No tempo da Restauração, Luís XVIII ordenou que trouxessem de volta à catedral de Saint-Denis os restos reais. Três cadáveres foram encontrados sem os crânios, e se supõe que um deles fosse de Henrique IV. Por mais de cem anos, nenhuma informação sobre o crânio do rei. Em 31 de outubro de 1919, por ocasião do leilão dos objetos do atelier da artista Emma Nallet-Poussain, Joseph-Émile Bourdais compra três crânios anônimos. Depois de ler um artigo publicado em 1924, em uma revista dedicada à história da arte, ele se convence de que um dos crânios é o crânio mumificado de Henrique IV. A partir de então, ele dedica toda a vida a provar que o objeto é o autêntico crânio do rei, mas não consegue reunir provas sólidas para embasar sua alegação, de modo que a hipótese não vem a ser confirmada. Obcecado por este problema com o qual acaba se identificando, ele pedirá que uma foto seja colocada em seu monumento funerário no cemitério de Pantin na qual ele aparece ao lado do crânio mumificado.

Em 1955, a irmã de Bourdais vende o crânio mumificado a Jacques Bellanger. Este o guarda no sótão de sua casa por mais de 50 anos até decidir contactar o historiador Jean-Pierre Babelon para pedir sua opinião sobre o crânio. Em 2010, o crânio é submetido a alguns testes complexos, após os quais o médico forense Philippe Charlier, conhecido por seus estudos de paleontologia, afirma ter provado de maneira indubitável que o misterioso crânio é mesmo de Henrique IV. Mas uma série de controvérsias se seguem, e a história não termina aí: dois novos colocam em dúvida os métodos utilizados por Charlier, enquanto que um terceiro confirma a tese. O grande público, no entanto, parece convencido da veracidade da versão de Charlier, sobretudo depois que este escreveu, junto com Stéphane Gabet, um livro intitulado O enigma do rei sem cabeça. Mas, devido às disputas entre os cientistas, a cabeça mumificada, que deveria ser depositado na catedral de Saint Denis, encontra-se trancafiado desde 2010 no cofre de um banco parisiense.

*

A história do crânio de Descartes. Encontrando-se em numa situação financeira difícil, e ao mesmo tempo sentindo que permanecer na Holanda – onde viveu por 20 anos – tinha se tornado inseguro, Descartes aceitou, a convite da rainha Cristina da Suécia, partir para Estocolmo no outono de 1649. O provável é que fora tentado tanto pela proteção oferecida por uma das monarquias mais poderosas da Europa quanto pela pensão por ela prometida. A rainha era, porém, uma mulher excêntrica e viril, alheia a qualquer coquetismo feminino, que seguia à risca os conselhos de seu pai, o rei Gustavo Adolfo II, que morreu em 1632, na batalha de Lützen, quando ela tinha apenas seis anos. Esforçando-se para ser digna das esperanças depositadas ela por Gustavo Adolfo II, trabalhou duro, permitindo-se não mais do que duas ou três horas de sono por noite. O programa rígido da rainha fez com que ela impusesse a Descartes que seus encontros de aulas de filosofia fossem marcados para as cinco da manhã. O ritmo do filósofo, habituado a dormir até as 11 horas, ficou completamente desconcertado. Ademais, teve de suportar o terrível frio do norte, o que o levou rapidamente ao fim. Descartes morreu de pneumonia em 11 de fevereiro de 1650 e foi enterrado em Estocolmo.

Por insistência de seus amigos e admiradores, que se tornaram influentes na corte de Luís XIV, decidiram trasladar seu corpo para a França. Por ordem do senhor D’Alibert, em maio de 1666, o cofre em que estavam depositados os restos mortais de Descartes chegou à França em janeiro de 1667, graças às diligências conjuntas do cavaleiro de Terlon,[8] à época embaixador francês na Suécia, e do Senhor de Pomponne,[9] que o sucederia como embaixador da corte de Luís XIV na Suécia. Mas, uma vez que, entrementes, os escritos de Descartes haviam sido condenados pela Igreja, seu corpo não teve uma recepção triunfal e tampouco recebeu discursos elogiosos de seus admiradores. Foi sepultado meio às pressas na igreja da abadia de Sainte-Geneviève. Durante a Revolução Francesa, foi proposto de transferir o caixão ao Panthéon, mas o projeto não teve êxito, e os fragmentos do esqueleto de Descartes foram parar em diversos lugares. Seriam reunidos apenas em 1919, quando foram enterrados na igreja de Saint-Germain-de-Près, mas então notou-se, na ocasião, que faltava o crânio. Após buscas laboriosas, foi constatado que o oficial sueco responsável incumbido de transportar o caixão de Descartes tinha roubado o crânio por considerar que ele não devia retornar à França, país que seria incapaz de apreciar o gênio de seu mais ilustre filósofo. Ao chegar às mãos de seus herdeiros, foi vendido em um leilão, vindo a mudar muitas vezes de proprietário. O sábio sueco Berzelius,[10] que se encontra em Paris em 1819 e acompanha todo o escândalo, conseguiu encontrar o crânio em Estocolmo, comprá-lo por uma soma ínfima e oferecê-lo a Cuvier[11] em 1821. Assim, o crânio de Descartes foi para o Muséum national d’Histoire naturelle[12] e, em 1931, para o Musée de l’Homme, onde ficou conservado à parte, sendo exposto somente em algumas ocasiões até a reabertura do museu em 2015.

Musée de l’Homme, 17 de agosto de 2016. Ao retornar à França com uma bolsa da École Pratique des Hautes Études, no verão de 2016, decidi visitar o Musée de l’Homme para ver o crânio de Descartes. Como já esperava, não reconheci nada: o espaço do museu foi transformado radicalmente, e a balbúrdia[13] de 2003 foi substituída por uma irradiante ordem francesa que eu bem conhecia. Se na primeira visita ao museu eu me senti em Slobozia,[14] na segunda tive a impressão de ser transportado para o Cabo Canaveral.[15] Se em 2003 tudo parecia empoeirado, antiquado, de cabeça para baixo, em 2016 era tudo asséptico, organizado de forma perfeitamente racional, transbordando de novidade. Em vez de cartazes amarelados, gráficos antiquados, planos irregulares – telas, computadores, paredes falantes. Em 2003, você passeava entre maquetes descoloridas que forneciam informações sobre a altura média dos habitantes do planeta através de dezenas de silhuetas cinzas feitas de borracha. Em 2016, já era possível sentir o cheiro de fumaça de caverna dos homens de 40.000 anos atrás, divertir-se em posições grotescas na frente de telas interativas para saber em qual ofício você se encaixava, ou ver como seria o seu rosto se você fosse um homem de Neandertal.

Fascinado pela nova fachada do museu, que conseguiu superar minha resistência e descrença na tecnologia, andei de sala em sala, de piso em piso, convencido de que cedo ou tarde toparia com o crânio de Descartes, que eu imaginava exposto numa vitrine toda especial, acompanhada de detalhes sobre sua biografia e das primeiras edições de seus mais importantes escritos. Após cerca de três horas dentro do museu, saí pela porta sem encontrar o famoso crânio. Eu tinha pressa de voltar lá e recomeçar a busca, mas tinha colocado um mapa do museu no bolso e me prometi de entrar novamente quando fosse visitar o Museu da Marinha, também situado no Passy a Palais de Chaillot. Quando voltei, alguns dias depois, não tive suficiente energia para entrar no Musée de l’Homme. Decidi encontrar o crânio de Descartes por ocasião da próxima bolsa que me levaria a Paris. No verão de 2017, tendo retornado a Paris, tive um programa de atividades sobrecarregado, e por isso não tive tempo de ir atrás do crânio. Disse a mim mesmo que não perderia outra ocasião e decidir cumprir minha palavra em 2018.

Musée de l’Homme, 13 de agosto de 2018. No verão de 2019, voltei a Paris e me propus como programa dar uma passada rápida no Musée de l’Homme com o único objetivo de encontrar o crânio de Descartes. Cheguei por volta das 11, subi ao segundo piso, peguei um mapa com a ordem das salas e comecei a busca pelo crânio. Conforme às indicações, o crânio de Descartes se encontrava na sala 1. Durante meia hora, busquei entre todos os objetos e telas da sala, mas o crânio de Descartes não aparecia. Exasperado, passei para a sala 2, voltei à anterior e tornei a buscar, sem sucesso. Apenas encontrei algumas máscaras de Maramureş,[16] que não lembrei de ter visto em 2016. O crânio de Descartes não estava em nenhum lugar. Indisposto a aceitar um novo fracasso, decidi pedir ajuda ao funcionário da segurança, um negro alto e cheio de solicitude. Eu expliquei a ele o que procurava, mas ele parecia confuso, sem me convencer de que poderia me ajudar. E comecei a me perguntar se o célebre crânio não teria por acaso sido removido do museu sem aviso prévio ao público. O supervisor, por sua vez, pareceu refletir por alguns instantes e então, meio incerto, me conduziu até uma vitrine e disse, com ar triunfante:  “Le voici.” Eu lhe agradeci com entusiasmo e comecei a olhar a vitrine com certa pressa, impaciente para avistar logo o crânio de Descartes. Mesmo tendo escrutado cada inscrição com toda a atenção possível, e olhado cada crânio com a maior das paciências, não encontrei Descartes. Era uma vitrine com crânios de gorilas, orangotangos e chimpanzés.

Exasperado, fui até o supervisor, cujo sorriso se parecia cada vez mais ao de Louis Armstrong cantando Hello Dolly. Eu lhe disse que ele não me mostrou a vitrine certa e lhe mostrei que só havia encontrado crânios de símios. Com um sorriso ainda mais largo, ele me assegurou que resolveríamos o problema e se reuniu com três outros supervisores. Após uma breve discussão entre eles, ele voltou e me conduziu até uma outra vitrine, repetindo: “Le voici.” Eu agradeci de novo, mas desta vez sem muito entusiasmo, pois não tinha nenhuma convicção de que encontraria o crânio. As primeiras olhadas não foram muito animadoras: vi o busto de Aristóteles esculpido em mármore negro e três objetos modelados em cera: um cérebro de cachorro, um cérebro de macaco e um cérebro de porco. Em seguida vi a representação em papel mâché de um homem esfolado vivo, o esqueleto de um chimpanzé pendurando em um galho e o busto de um velho orangotango modelado em gesso. Finalmente, quando eu começava a perder toda esperança, avistei um crânio terroso com uns vestígios de letras. Olhei as notas explicativas na parte inferior da vitrine e tive a confirmação – era o crânio de Descartes.

Foi só depois de tê-lo examinado por todos os ângulos durante alguns minutos que eu lembrei que o crânio suportou os fantasmas dos dez proprietários aos quais havia pertencido, um a um, após sua primeira venda no leilão pela família do oficial sueco que o tinha roubado. Todo mundo se sentia obrigado a escrever alguma coisa sobre o crânio, provavelmente esperando assim que seu nome seria ligado ao de Descartes. Alguns não se limitaram a isso e, sob a influência de especulações frenológicas,[17] cada vez mais populares à época, sentiram-se na necessidade de destacar que se tratava de um crânio incrivelmente pequeno para alojar a genialidade de um Descartes. Há uma anedota que circulava em Paris ao início do século XIX, de autoria anônima, e que reproduz o cúmulo do ridículo a que chegavam alguns que insistiam em apontar os traços do gênio a partir de um crânio: “Sempre me lembrarei que Spurzheim[18] um dia me mostrou, sem vacilação alguma, um crânio modelado em gesso, do qual me dissera que representava da maneira mais fidedigna possível o crânio de Descartes. Segundo as regras frenológicas, este era o crânio de um estúpido e eu não me abstive de fazer esta observação. Spurzheim me mostrou, em vão, as protuberâncias frontais, que não existiam. Sem dúvida ele as via, mas eu não. Constrangido enfim pelas evidências, ele acabou me dizendo que se o crânio não era belo como eu esperava, isso devia significar que Descartes não era lá um espírito tão grandioso como se costumava acreditar. Incapaz de engrandecer o crânio para acolher o gênio de Descartes, ele decidiu reduzir o gênio de Descartes para caber no crânio.”

Olhando com certa melancolia para o crânio de Descartes, pensei então que todos os dias o mesmo se repete: nós queremos compreender até as últimas consequências as ideias de um grande espírito, nos esforçamos por não poder de vista nenhuma nuance de sua sofisticada visão de mundo, por não perder o sentido de nenhuma alusão ou referência obscura em um texto esquecido, e nos encontramos finalmente acurralados diante de uma caveira que nos contempla ironicamente através de suas imensas cavidades ocas.


[1] No original romeno, Craniul lui Descartes. Publicado originalmente em Orizont (Romênia), nr. 9/2019, p. 17-18. Traduzido do romeno por  Rodrigo Inácio Ribeiro Sá Menezes.

[2] Nascido em Arad, na Romênia, em 1973, Ciprian Vălcan é filósofo, professor, escritor e ensaísta, autor de inúmeros livros traduzidos nas mais diversas línguas, inclusive o português. Estudou Filosofia em Timişoara, na Romênia, foi bolsista na École Normale Supérieure de Paris, fez o mestrado e o DEA na Sorbonne (orientado por Jean-Luc Marion, da Academia Francesa) e o doutorado na École Pratique des Hautes Études (orientado por  Jacques Le Rider). É um dos maiores especialistas mundiais na obra do filósofo romeno de expressão francesa Emil Cioran, sobre o qual publicou, dentre outros, Les concurrence des influences culturelles françaises et allemandes dans l’oeuvre de Cioran (Bucareste, Editura Institutului Cultural Român, 2008). Atualmente leciona na Universidade Aurel Vlaicu, em Arad.

[3] No original romeno, talmeş-balmeş: “confusão”, “balbúrdia”, “baderna”, “desordem” (N. do T.).

[4] Os Tuaregs são um povo nômade que habita a parte central do deserto do Saara.

[5] Os Massais são um povo seminômade africano que habita as regiões do Quênia e norte da Tanzânia.

[6] O Reino do Daomé foi um reino africano que existiu entre 1600 e 1904, na região que hoje pertence ao Benim, até o último rei, Beanzim, ser derrotado pelas forças armadas da França, que o tornaria parte de sua colônia.

[7] No original romeno, găselniţe, plural de găselniță (substantivo feminino), do verbo a găsi, “achar”, de onde “achado” (trouvaille em francês), que significa, além de coisa (ou pessoa) desaparecida e achada, uma descoberta preciosa, ou mesmo um invento (portanto, anteriormente inexistente, não literalmente “achado”, mas inventado). Por aproximação, escolhemos traduzir găselnițe não por “achados”, nem por “invenções”, mas por “engenhocas”: aparelhos ou máquinas de relativa complexidade e sofisticação, construídas com a finalidade da artimanha e do artifício, sendo portanto “achados” no sentido de que são invenções atrativas do ponto de vista tecnológico e do entretenimento (N. do T.).

[8] Hugues de Terlon (circa 1620-1690): diplomata francês e cavaleiro da ordem de São João de Jerusalém.

[9] Simon Arnauld de Pomponne (1618-1699): diplomata e ministro francês. Investido do título nobiliário de senhor e, a partir de 1682, de marquês de Pomponne (N. do T.).

[10] Jöns Jacob Berzelius, mais conhecido como Jacob Berzelius (1779-1848): químico sueco e um dos fundadores da química moderna (N. do T.).

[11] Georges Cuvier (1769-1832): naturalista e zoologista francês, conhecido como “pai da paleontologia”.

[12] “No cruzamento entre ciências da terra, da vida e do homem, o é consagrado cotidianamente – e isso há quase 400 anos – à natureza e sua relação com a espécie humana. Rico de sua história, no coração da atualidade, o museu trabalha também pelo porvir…” Disponível em: <https://www.mnhn.fr/&gt;. Acesso em: 29/05/2020.

[13] O substantivo feminimo em romeno (cuja forma e sonoridade pode soar engraçadas para nós) é harababura: “desordem”, “balbúrdia”, “baderna” “confusão” (N. do T.)

[14] Pequena cidade na Romênia com cerca de 50.000 habitantes (N. do T.).

[15] Famosa localidade no estado da Flórida, nos Estados Unidos, onde se encontra o Kennedy Space Center (N. do T.).

[16] Maramureş é um judeţ, “distrito” ou “departamento” (equivalente aos estados da federação brasileira) situado na Transilvânia, no norte da Romênia. Lá se encontra o famoso Cimitirul Vesel (“Cemitério Feliz”) de Săpânţa, cujas lápides de madeira, artisticamente talhadas e coloridas, apresentam poemas, historietas e anedotas sobre os falecidos, denotando uma relação de irreverência e bom-humor diante da morte (N. do T.).

[17] Frenologia: estudo geral das faculdades intelectuais; teoria segundo a qual o estudo da conformação do cérebro pode ter relação com aptidões, instintos e faculdades intelectuais, inclusive de tendência criminosa e/ou subversiva. Assim, por exemplo, quando Antônio Conselheiro, líder do movimento messiânico e revolucionário que levaria à guerra de Canudos (1896), foi capturado e morto pelas forças armadas, seu corpo foi levado ao Rio de Janeiro, capital do Brasil à época, para que seu cérebro fosse dissecado e estudado, pelo viés frenológico em voga na época, na expectativa de descobrir, através da anatomia do órgão encefálico, possíveis sinais de criminalidade e deliquescência (N. do T.).

[18] Johann Spurzheim (1776-1832), médico alemão que se tornaria um dos mais importantes proponentes da da frenologia, desenvolvida originalmente por Franz Joseph Gall (1758-1828) (N. do T.).

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