“Reflexões sobre o nada e o não ser” – Samuel Gonçalves Garrido

Trabalho de monografia apresentado ao Departamento de Filosofia da Universidade de Brasília, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Licenciado em Filosofia, UnB, 2017. [PDF]

Orientador: Prof. Dr. Alexandre Costa-Leite

Talvez o sofrimento não tenha justificativa alguma, assim como a existência, em geral. A existência deveria existir? Há alguma razão no fato de existir? Ou a existência não teria outra razão senão uma imanente? A existência existe apenas como existência? O ser é apenas ser? Por que não admitirmos um triunfo final do não ser, por que não admitirmos que a existência se encaminha para o Nada e o ser para o não ser? Não seria o não ser a única realidade absoluta? Eis um paradoxo à altura do paradoxo deste mundo.

E. M. Cioran

Resumo: O presente trabalho tem como intento refletir sobre as concepções acerca “do” nada no pensamento filosófico. Em síntese, o problema é: _Será (o) nada algo? Acusado como inquilino da experiência, (o) nada enquanto objeto possível esbarra na incapacidade de um apelo ontológico. Assim, ao passo que conceber e representar algo envolve ter uma relação com o que é representado mediante a apreensão de uma particularidade, como podemos estabelecer uma relação constitutiva com o que não é e, ao que tudo indica, não existe? Será possível lidar com algo que carece de existência, representação e não se reduz ao essencial? Por este obstáculo, cogito pensar (o) nada amparado pela ideação da existência de objetos não existentes, buscando dissecar as razões que circunscrevem seu conceito, comumente apontado como contraditório ou mal formado. Tamanho esforço, uma vez voltado para a vivência de suas consequências, aclara o profundo mal-estar que cinge a autocompreensão de nosso tempo e se manifesta enquanto niilismo. Isso significa que se (o) nada é tomado como algo e, consequentemente, como causa para a aniquilação de pressupostos metafísicos e morais, devemos também elucidar o que podemos saber sobre as estruturas intrínsecas a esse objeto. Portanto, essa escrita prende-se à inquirição e análise do conceito de um objeto não existente, orbitando sobre (o) nada e seus encadeamentos, perscrutando a possibilidade de uma ontologia do não ser.

Palavras Chave: Nada, Ser, não ser, ontologia, verdade, realidade, niilismo, ceticismo, semântica, discurso, lógica.

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