Uma argumentação em torno do suicídio – Lúcio VAZ

Tese apresentada ao Programa de Pós-graduação em Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais como requisito parcial à obtenção do título de Doutor em Filosofia, 2014. [PDF]

A presente tese tem, em suas linhas gerais, um duplo propósito: primeiro, realizar uma taxonomia dos diversos argumentos acerca do suicídio; segundo, avaliar os argumentos e apresentar uma posição crítica própria. Para realizar esses dois propósitos, é feito um mapeamento conceitual do suicídio e dos possíveis enfoques sobre a questão, apresentando o problema central da tese como: pode haver alguma escolha racional, no aspecto prático, pelo suicídio? A taxonomia apresenta três agrupamentos resultando em posicionamentos práticos de indiferença, aquiescência ou rejeição. Como a aquiescência e a rejeição comportam matizes, temos quatro tipos basilares de postura prática sobre o suicídio: a indiferença, o sim incondicional, o sim condicionado e o não incondicional. Essas posturas, por seu turno, subdividem-se em diferentes argumentos e motivações. No que concerne à minha avaliação crítica, propugno, por um lado, uma argumentação moral de inspiração deontológica, por outro, uma argumentação que se refere a uma esfera prática não pautada pela moralidade, de natureza existencial e prudencial. A conclusão da tese consiste em notar que o suicídio pode ser considerado aceitável em diferentes níveis de racionalidade, tais como no respeitante à coerência entre atos e crenças, entre premissas e conclusões. Contudo, suicidar-se não pode ser racional nos níveis mais exigentes de racionalidade prática, seja moral, seja prudencial, pois eles dizem respeito também à aceitabilidade das premissas e crenças. Para essa avaliação incondicionalmente negativa, contribuem alguns pressupostos explicitados ao longo da tese, entre eles: uma visão sobre intencionalidade que incorpora a aceitação de consequências previsíveis da ação; uma concepção sobre identidade centrada sobre a pretensão de continuidade psicológica futura; a predileção do olhar de um indivíduo sobre si mesmo e não da sua imagem frente os outros.

Palavras-chave: Morte. Suicídio. Moralidade. Existencial.

Abstract: The thesis has, in general terms, a twofold purpose: to establish a taxonomy of the several arguments about suicide; to assess these arguments and present a critical position. In order to accomplish these two purposes, I try to work out a conceptual mapping of suicide and of possible approaches to the issue concerning the following question: could there be any rational choice for the suicide, from the practical point of view? The taxonomy presents three clusters resulting in practical attitudes: indifference, agreement or rejection. Since agreement and rejection involve different shadowings, we have four basic kinds of attitude toward suicide: indifference, unconditional acceptance, conditioned acceptance and unconditional rejection. These attitudes, in their turn, multiply themselves into various arguments and motivations. With regard to my critical assessment, I propose, on one hand, a moral deontologically inspired argument, on the other, one grounded on a practical field not guided by morality, a field that is existential and prudential. The conclusion affirms that suicide can be considered acceptable at different levels of rationality, such as with regard to consistency between actions and beliefs and between premises and conclusions. However, suicide cannot be rational at the most rigorous levels of practical rationality, either moral or prudential, because this level also is related to the acceptability of assumptions and beliefs. Some assumptions that are unfolded and defended throughout the thesis contribute for this unconditionally negative evaluation of suicide. I could refer among others to a claim of intentionality that incorporates the acceptance of the foreseeable consequences of the action; to a conception of identity centered on the intention of future psychological continuity; to a preference for the individual regard about himself and not for his image before other people’s eyes.

Keywords: death, suicide, morality, existential.

[PDF]

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