“Acadêmicos versus pirrônicos” – Roberto BOLZANI FILHO

Sképsis, ano IV, n. 7, 2011

Uma das questões que mais têm interessado aos historiadores modernos e contemporâneos do ceticismo antigo é aquela que concerne às diferenças entre as duas tradicionais correntes céticas, denominadas acadêmica e pirrônica. Interesse plenamente justificado, pois se trata, na verdade, de questão clássica, posta já pelos antigos, como nos informam as Noites Áticas de Aulo Géllio: “é uma antiga questão, considerada por muitos escritores gregos, em que e quanto diferem filósofos pirrônicos e acadêmicos. Pois ambos são ditos céticos, suspensivos, aporéticos, visto que ambos nada afirmam e julgam que nada se apreende”. O fato de estarmos em face de um problema antigo que permanece atual mostra, ao que tudo indica, haver aí muito mais do que aquela freqüente dificuldade com que depara o helenista, a da ausência de documentação e doxografia. São os textos mesmos, as fontes principais que nos restaram, referentes às duas correntes, que, em certos momentos, entram, como veremos, em rota de colisão. O problema é de fundo: em dado momento da história da filosofia, na Grécia, sedimenta-se um modo de pensar que se pretende substancialmente original em relação a toda a filosofia anterior, portador de uma nova proposta filosófica que significaria, a bem dizer, a desqualificação de toda essa filosofia, dita doravante “dogmática”, “precipitada”, “autoritária” etc. E, contudo, ela mesma comportará, em pouco tempo, uma controvérsia que seria mais agradável encontrar exclusivamente nos dogmatismos que tanto critica… [PDF]

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s