“Camus: entre o sim e o não a Nietzsche” – Marcelo ALVES

Dissertação de mestrado em Literatura. Área de concentração em Teoria Literária. Curso de Pós-Graduação em Literatura da Universidade Federal de Santa Catarina, 1998.

RESUMO: A explicitação da leitura que Camus faz de Nietzsche é o fio condutor para a abordagem critica de três elementos marcantes na produção camusiana: o pessimismo, a revolta e a adesão profunda ao mundo. A partir de uma aproximação com o pessimismo trágico nietzschiano, busca-se compreender, explicitar e refletir sobre o duplo movimento, aparentemente antagônico, que caracteriza a obra de Albert Camus: de um lado, a apreciação pessimista da condição humana — resultado da lucidez diante do caráter absurdo que se reveste a experiência do homem no mundo; de outro, a necessidade da revolta diante do “mal” como forma de o homem significar a sua própria existência. A argumentação encaminha-se para uma apresentação do pessimismo camusiano enquanto um pessimismo que, longe de ser resignado ou valorar negativamente a vida, culmina, através da revolta, num lúcido sim à vida. Mas, por outro lado, trata-se de um sim que se contrapõe àquele que Nietzsche extrai do pessimismo trágico, o Amor fati. Desse modo, o percurso crítico realizado pela dissertação revela uma relação ambígua de Camus com o pensamento nietzschiano.

RÉSUMÉ: L’explicitation de la lecture que Camus a réalisé de Nietzsche est le fil conducteur pour l’approche critique de trois éléments significatifs de la production camusienne; le pessimisme, la révolte et l’adhésion intime au monde. En considérant que l’œuvre d’Albert Camus se caractérise d’un côté par l’appréciation pessimiste de la condition humaine — résultat de la lucidité devant le caractère absurde de l’expérience de l’homme dans le monde — et de l’autre côté par la nécessité de l’homme de se révolter en face du “mal” sous forme de signifier sa propre existence, ce double mouvement apparemment antagonique a été étudié à partir du pessimisme tragique nietzschéen. Le texte présente une interprétation du pessimisme camusien comme un pessimisme qu’au lieu d’être résigné ou de déprecier la vie, aboutit, à travers la révolte, dans un oui à la vie. Cet oui s’oppose à l’Amor fati nietzschéen. Ainsi, ce parcours qu’on a réalisé met à lumière un rapport ambigu de Camus et la pensée nietzschéene.

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