Meet ‘Mother God:’ The Leader of Love Has Won | False Gods

“She only lets us sleep four hours, we have to wake up at 5AM.”

Amy Carlson leads a group called Love Has Won. The web-savvy New Age outfit uses daily livestreams to recruit followers from around the world to join their house in Colorado.

Evolução de movimentos religiosos: cults e seitas

Rodney Stark

Este capítulo esboça os fatores determinantes do destino de um novo movimento religioso. Prosperará ou morrerá? Permanecerá em alta-tensão com o ambiente sociocultural, ou reduzirá sua tensão até se tornar uma denominação convencional? Estas são as questões clássicas. Para o propósito presente, a tensão é novamente a variável mais notável. Nós inicialmente discutimos seitas e cults separadamente; aqui, como no capítulo anterior, serão consideradas em conjunto, e a característica que compartilham é a tensão, o que é sinônimo de um desvio subcultural religioso:

Def. 57 Uma seita é uma organização religiosa desviante com crenças e práticas tradicionais.

Def. 58 Um movimento de cult é uma organização religiosa desviante com crenças e práticas novas.

Aqui a análise é fortemente baseada em nossas análises de cismas, inovação, e recrutamento, discutidos nos três capítulos anteriores. Um movimento religioso provavelmente terá um cisma como destino, se desenvolver diferenças internas significativas em relação à habilidade dos membros em obter recompensas pessoais x suas necessidade de compensadores. Nossa análise de inovação mostrou não somente que cults de clientela podem evoluir até cults de alta-tensão, mas também que seitas pequenas podem tornar-se cults e que a inovação cultual pode continuar com sérias consequências bem depois da formação do cult. As condições de recrutamento são também, em grande escala, as condições para o crescimento de um movimento. Isto porque fertilidade biológica não é suficiente para sustentar o rápido crescimento necessário para estabelecer um novo movimento como um apêndice permanente da sociedade, e também porque altos níveis de recrutamento são geralmente necessários para contrabalançar a deserção (cf. Stark e Roberts, 1982).

Uma importante proposição anterior foi P131, que afirmava que o potencial para o grupo estar em conflito em relação à distribuição de recompensas e a ênfase sobre os compensadores está presente em todos os organismos religiosos. Membros discutem entre si sobre o rumo futuro do grupo. Alguns estão mais inclinados em manter ou aumentar a tensão do grupo, outros querem reduzi-la. Futuramente examinaremos com maiores detalhes as consequências desta contradição interna, além do que foi expresso no capítulo sobre cisma. Comecemos, entretanto, por reafirmar alguns dos pontos da discussão anterior, observações que se aplicam à evolução de grupos de alta-tensão, bem como ao seu nascimento:

P145 Em qualquer corpo religioso, o menos poderoso provavelmente preferirá uma tensão relativamente mais alta com a sociedade externa.

P146 Em qualquer corpo religioso, o mais poderoso provavelmente preferirá uma tensão relativamente mais baixa com a sociedade externa.

P147 Quanto mais baixa a tensão de um grupo religioso, maior e mais valioso será o fornecimento de recompensas que ele pode receber de fora e prover aos membros.

P148 Quanto mais baixo o estado de tensão de um grupo religioso, maior a demanda gerada entre os menos poderosos por compensadores mais eficazes.

Enquanto houver diferenças de necessidade e poder dentro de qualquer grupo, facções e categorias de membros variam em grandeza e elementos distintivos. Dessa forma, a estrutura interna do grupo determinará grandemente sua história futura. Por conseguinte, as pressões em relação à tensão mais alta ou mais baixa dependem grandemente do caráter dos membros recrutados, especialmente o grau de suas diversidades e da distribuição de poder e recompensas entre eles.

Diversidade

Seria simplista supor que grupos religiosos de alta tensão nascem tendo membros idênticos entre si em relação ao poder e às necessidades. A P200 afirmou que em todas as sociedades e organizações o grau interesse pela conformidade que as pessoas apresentam é variável. Isto significa que os custos de uma dissidência religiosa diferem entre os membros de grupos de alta-tensão. Mas, poder e recompensas, evidentemente, também variam. Nossa análise de cisma e inovação atribuiu um importante papel aos líderes, seja formal ou informal, e líderes constituem uma elite relativamente poderosa dentro de qualquer sociedade ou grupo social. Na medida em que um novo grupo religioso torna-se uma sociedade autossuficiente, faz-se necessário ilustrar o A7, que afirma que atributos individuais e sociais que determinam poder são distribuídos desigualmente entre pessoas e grupos em qualquer sociedade.

Hipoteticamente, é possível extrair da sociedade uma pequena camada de pessoas com recompensas e necessidades virtualmente idênticas. Mas, se esta categoria começa a interagir como um grupo, quaisquer que sejam os fatores que a tenham feito tão uniforme neste primeiro lugar, o mesmo apresentará a qualidade de sociedade e desenvolverá suas próprias desigualdades, de acordo com o A7. Nenhum grupo religioso é homogêneo em seu quadro de membros, e até mesmo aqueles mais veemente dedicados a normas de igualdade revelam desigualdades acentuadas. (Nordhoff, 1875; Della Fave e Hillery, 1980). Muito deste capítulo atribui o rumo da evolução de grupos religiosos de alta-tensão ao fato da desigualdade, e esta seção menciona que grupos começam com uma medida de heterogeneidade, enquanto outras seções mencionam desenvolvimento ulterior de diferenças salientes entre os membros.

Embora os grupos religiosos de alta-tensão costumem recrutar pessoas que experimentam relativa privação dentro de uma sociedade maior, alguns menos privados também participam do grupo, como se cometessem um engano. A P247 afirma que vínculos sociais podem atrair os menos-privados, juntamente com seus mais-privados companheiros de troca:

P247 Uma pessoa cujos companheiros estimados de troca são em, sua maioria pessoas que não têm o poder para obter recompensas raras, está apta a se tornar um membro de um movimento religioso de alta-tensão, sob a influência daqueles, completamente separado do poder da própria pessoa de obter recompensas raras.

Além disso, a ação humana é guiada por percepções individuais da realidade, não por fatos objetivos. Pessoas que se sentem privadas e que vivenciam a falta de poder em obter recompensas comparando-se com circunstâncias que imaginam que outras pessoas aproveitam, direcionar-se-ão a grupos de alta-tensão. A P133 menciona que é muito difícil para os indivíduos alcançarem avaliação acurada de si próprios. Portanto, alguns, entre aqueles que se juntam aos cults e seitas de alta-tensão, são erradamente considerados como não tendo poder para obter recompensas raras.  A menos que sua insegurança seja tão extrema a ponto de incapacitá-los de fazer trocas sociais, eles agirão de maneira mais bem-sucedida que outros em sua nova congregação. Seu atual poder contribuirá para a diversidade dentro do grupo, a despeito de suas ilusões de falta de poder. Assim, podemos dizer:

P251 Atributos individuais e sociais que determinam poder são distribuídos desigualmente entre os participantes de qualquer grupo religioso na hora de sua formação.

Grupos religiosos, entretanto, diferem em quão reduzida ou ampla é a distribuição de poder entre os membros. Menores, os grupos de alta-tensão geralmente terão mais distribuições reduzidas do que as denominações mais amplas e estabelecidas. Um fator significante para determinar a amplitude de distribuição é o grau de coerção imposto pelo ambiente social. As P212 e P213 explicaram que indivíduos devem suportar maiores custos e, portanto, procurar maiores recompensas ao juntar-se a grupos de alta-tensão quando a sociedade impõe severas punições para dissidência religiosa. A partir disto, extraímos a seguinte proposição:

P214 Quanto maior o grau de coerção que a sociedade externa impõe sobre uma dissidência religiosa, menor é o número de pessoas prováveis a se juntar a organizações religiosas desviantes.

Para um grupo religioso desviante reduzir (ou aumentar) sua tensão depois da formação, ele deve ter ou desenvolver uma clientela que deseje um nível de tensão diferente daquele desejado no nascimento da organização. Verdade é que o destino de todos os membros deve se mover em concordância, levando ao grupo inteiro um nível de recompensa e a consequente boa vontade em aceitar compensadores específicos. Mas, como mostrou nosso capítulo sobre cisma (e será demonstrado adiante), é geralmente a luta pela supremacia que move um grupo religioso em direção à maior ou à menor tensão. Abaixo, analisaremos o impacto de influências externas aleatórias e o aparecimento de uma segunda geração de membros; mas, juntamente com estes fatores, o grau de incapacidade dentro de um grupo religioso é decisivo para a redução de tensão. Distribuições de poder muito reduzidas falham em incitar qualquer tipo de mudança. Diferenças de poder muito grandes precipitam cisma, como P130 afirmou, quando este é possível considerando outras condições de nossa análise anterior. Em distribuições medianas, o mais poderosos desejam menos tensão e têm relações de troca com outros membros que determinam benefício mútuo suficiente para mover o grupo em direção à tensão menor. Portanto:

P252 Grupos religiosos de alta-tensão com distribuição de poder muito reduzida entre seus membros têm poucas chances de decrescer a tensão.

P253 Grupos religiosos de alta-tensão com média distribuição de poder entre seus membros costumam caminhar em direção a uma menor tensão.

P254 Grupos religiosos de alta-tensão com ampla distribuição de poder entre seus membros costumam ser submetidos ao cisma.

Este último caso, evidentemente, resulta em outros dois ou mais grupos cismaticamente formados, para os quais as proposições P252 e P253 se aplicam. Estes grupos resultantes costumarão ter uma distribuição mais reduzida do que o grupo original – permitindo-se reduzir a tensão (um movimento da igreja), e a mantê-la alta (um movimento da seita). Uma vez que o formato da distribuição de poder é parcialmente determinado pelo grau de coerção imposto sobre a dissidência religiosa, o rumo provável dos grupos de alta-tensão também depende do grau de coerção:

P255    Grupos religiosos de alta-tensão formados em sociedades que impõem grande coerção sobre dissidência religiosa apresentam menor probabilidade de diminuir a tensão.

Esta observação também é sustentada pela consideração da completa extensão de relações entre os grupos de alta-tensão e seus ambientes sociais. Um ambiente hostil significa mais hostilidade devolvida, uma maior separação entre desviantes religiosos e leigos, e pressões em relação a maiores diferenças culturais. Assim, se houver qualquer possibilidade de troca, grupos de alta-tensão formados em tais sociedades costumarão aumentar a tensão logo após sua formação, e terão poucas oportunidades de diminuí-la mais adiante. O isolamento e a qualidade do quadro de membros em grupos de alta-tensão são discutidos nas seções seguintes, que salientam que, em níveis de tensão menores que os mais extremos, há muitas fontes de diversidades entre os membros, além de diversos mecanismos que transformam diversidade em redução de tensão.

Isolamento social

Em sua procura por compensadores específicos, e geralmente possuindo uma intensidade de dedicação a compensadores gerais incomuns para grupos de baixa tensão, seitas e cults são pressionados para se tornar ou permanecer em alta-tensão com o ambiente sócio-cultural. Como os capítulos anteriores mostraram, isto significa que há uma forte tendência a que sejam grupos socialmente fechados que experimentam uma medida de implosão social em sua formação.

Def. 27 Uma porção de uma rede é fechada, na medida em que grande parte de seus membros mantém relacionamentos com outros membros.

Def. 85 Numa implosão social, parte de uma rede social relativamente aberta se torna notadamente fechada.

P 138 Pessoas que possuem um compensador em vez de uma recompensa rara evitarão explicações que identificam a recompensa correspondente como a verdadeira.

P185 Quanto mais socialmente fechado é um grupo, mais rapidamente ele pode gerar e sustentar compensadores através de trocas entre membros.

P186 Quanto mais minuciosamente interligado é um grupo, mais rapidamente ele pode gerar e sustentar compensadores através de trocas entre membros.

P219 Pessoas que desejam recompensas limitadas e reais, mas que não têm o poder social para obtê-las, costumarão afiliar-se a seitas, na medida que a sociedade tenha uma tradição religiosa dominante apoiada pela elite.

P220 Pessoas que desejam recompensas limitadas e reais, mas que não têm o poder social para obtê-las, costumarão afiliar-se a cults, na medida em que a sociedade não tenha uma tradição religiosa apoiada pela elite.

P 240 Membros de uma organização religiosa costumam recompensar os que apóiam as crenças da religião e a punir ou romper relações com aqueles que se opõem às elas.

P 242 Dentro de um grupo religioso, quanto maior é a pressão em relação à aceitação doutrinal, mais alta é a tensão do grupo.

P 243 Membros de grupos religiosos de alta-tensão costumam ter uma maior proporção de relacionamentos sociais com outros membros, sendo esta tendência limitada principalmente por sua incapacidade de dar uns aos outros todas as recompensas comumente desejadas e disponíveis.

A maioria destas proposições se aplica igualmente a seitas e cults. As P219 e P220 identificam a tendência, de algumas sociedades, a produzir mais seitas do que cults, e outras para produzir mais cults do que seitas. Em sociedades que possuem uma tradição religiosa dominante, cults serão raros e os que existirem terão tensão bastante alta. Sociedades que não possuem uma tradição religiosa dominante, não somente terão mais cults, como também provavelmente castigarão menos a dissidência religiosa de qualquer tipo. No último tipo citado de sociedade, muitas de nossas proposições sobre redução de tensão têm menos força. Uma vez que os cults são mais comuns em sociedades menos coercitivas, e uma vez que cults, considerados grupos inovadores por definição, são preparados a se adaptar até ao abandono de princípios básicos, o cult típico deve ter uma posição melhor do que a seita típica para reduzir sua tensão. Certamente o grande corpo de evidências sobre as características de pessoas recrutadas para os cults sugere que, em áreas da sociedade ocidental propensas a eles, os cults mais bem-sucedidos parecem agir relativamente como grupos de baixa-tensão, atraindo pessoas que têm posições favorecidas, em vez das severamente privadas (Wilson, 1961; Nelson, 1972; Church of Scientology, 1978, Nordquist, 1978; Wuthnow, 1978; Barker, 1981; Volinn, 1982, Stark e Bainbridge, 1985). Estes pontos devem ser lembrados enquanto examinamos os princípios que se aplicam a ambos os tipos de movimentos religiosos.

A tendência de um novo grupo de alta-tensão para afastar-se das relações sociais com os não-membros é estimulada por histórias pessoais de indivíduos por ele recrutadas. A P122 mencionou que os cismas serão mais prováveis em grupos que têm divisões sociais acentuadas, e P121 afirma que a formação de uma nova seita costumará acontecer ao longo dessas divisões. Uma seita recém-formada, portanto, começará com relativamente poucos vínculos sociais ligando membros com não-membros. Na medida que o cult é formado parcialmente através do cisma, também iniciará sua vida com alguma medida de isolamento social. Evidentemente, os grupos que se formam através de geração-de-compensadores de incrementos tendem a ser pequenos, relativamente fechados e interligados, e tendem a vivenciar implosão social. Cults formados por indivíduos, sejam eles psicopatas ou empresários, passam a existir de acordo com as leis de recrutamento de uma organização religiosa desviante, uma vez que o fundador reúne convertidos para a sua nova crença. As realidades de recrutamento para os cults e seitas de alta-tensão favorecerão o isolamento social. 

Relembremos que os mais inclinados a aceitar compensadores específicos são os relativamente privados entre os cidadãos da sociedade. Estes desafortunados incluem muitos que não possuem companheiros de troca apreciados, que fornecem recompensas possuídas por outros cidadãos. Tais pessoas são debilitadas em inserção, assim como em outros aspectos de vínculo social com a sociedade convencional. A maioria dos que têm consideráveis vínculos é ligada àqueles de recursos insignificantes, famílias e grupos inteiros isolados dos canais de distribuição de recompensas da sociedade. Assim, muitos iniciantes serão desligados da estrutura social maior, seja como indivíduos isolados ou como membros de pequenos grupos fechados. Visto de uma maneira mais formal, aqueles que se juntam a grupos religiosos de alta-tensão – os quais, desse modo, cometem desvio religioso – costumam ser pessoas com pouco interesse pela conformidade. Lembremos:

Def. 86 O interesse pela conformidade compõe-se de vínculos, investimentos, envolvimentos e crenças.

P 202 Pessoas que têm pouco interesse pela conformidade são relativamente privadas em termos de recompensas, compensadores e auto-estima.

P 203 Pessoas que têm pouco interesse pela conformidade são relativamente livres para desviar-se.

As conclusões seguintes, óbvias, são nada mais do que reafirmações das conclusões principais dos capítulos sobre seitas e cults:

P 256 Em sua formação, seitas e cults costumam ter membros relativamente privados.

P 257 Em sua formação, seitas e cults costumam ter membros com pouco interesse pela conformidade.

P 258 Em sua formação, seitas e cults costumam ter membros com fracas ligações com os não-membros.

P 259 Em sua formação, seitas e cults costumam ser grupos sociais fechados. Deve-se lembrar do papel crucial que a alta-tensão e a necessidade de compensadores específicos, intensos, desempenham. Como P144 afirmou, quanto maior a tensão de um grupo religioso, maior o número e o valor considerado de compensadores que ele pode fornecer em lugar de recompensas raras. Aqueles com altos níveis de recompensas têm grande interesse pela conformidade. Portanto, o movimento de um indivíduo ou de um grupo em direção a uma tensão mais alta é permitido pelo pouco interesse pela conformidade e estimulado por privações associadas a este pequeno interesse. Isto significa que os movimentos de igreja mostrarão a tendência oposta aos movimentos de seitas e cults. Em vez de nascer em isolamento social como grupos fechados que experimentam implosão social, emergirão como grupos com muitas ligações – na verdade, ligações crescentes – com a sociedade convencional e, freqüentemente, com sua elite (Steinberg, 1965; Doherty, 1967).


STARK, Rodney, Uma teoria da religião. Trad. de Rodrigo Inácio Ribeiro Sá Menezes, Rodrigo Wolff Apolloni e Frank Usarski. São Paulo: Paulinas, 2008.

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