“O Tapa” – Fernando OLSZEWSKI

Exilado Metafísico, 4 de abril de 2022

O que deveria ser um evento irrelevante entre duas celebridades norte-americanas multimilionárias se tornou, no Brasil, uma espécie de divisor de águas. Concordo com Ricky Gervais quando ele diz que não liga para celebridades. Não ligo mesmo. O que me tira do sério não é o evento ou as pessoas nele envolvidas, mas a reação dos meus compatriotas.

No Twitter, vi pessoas escrevendo coisas como: “só bolsonarista reprova o tapa”, “quem é contra o tapa é branco”, além de ver alguns fazerem análises absurdas, como: caso Bolsonaro tivesse tomado um tapa no Superpop em 2010, não estaríamos vivendo este pesadelo que é o seu governo. Sinceramente, queria conseguir alucinar dessa forma. Apesar de absurdas, algumas dessas postagens receberam centenas de milhares de likes — sim, centenas de milhares.

Pois bem. A lenda do basquete, Kareem Abdul-Jabbar, fez uma crítica contundente ao tapa, dizendo que ele perpetua estereótipos de homens negros serem violentos nos Estados Unidos.¹ Para piorar, Richard Williams — pai de Serena e Venus Williams, homem que foi interpretado pelo ator que desferiu o tapa — condenou a agressão, afirmando que sua família só aceita violência em autodefesa.² E não, na nota de Williams à imprensa não sobra espaço para interpretar a palavra “autodefesa” como defesa da honra. Em adição a eles, uma vasta gama de notórios progressistas norte-americanos e (em menor número) brasileiros acharam absurdo dar um tapa por causa de uma piada, por pior que fosse… [+]

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