“O que muda e o que não muda”: entrevista com Dzongsar Khyentse Rinpoche

Buda Virtual, 4 de março de 2016

What Changes and What Doesn’t: An interview with Dzongsar Khyentse Rinpoche | Traduzido por Lucas Almeida

Entrevista realizada em novembro de 2000. 

Dzongsar Khyentse Rinpoche é um espetacular mestre budista e diretor do filme “A Copa”, possivelmente o primeiro grande filme de longa-metragem tibetano. Ele é jovem, completamente moderno e profundamente preocupado com distorções do darma. Ele desafia os budistas ocidentais a sustentarem as verdades invariáveis do budismo ao mesmo tempo em que abandonam armadilhas culturais. Muito frequentemente, ele diz, fazemos o inverso. Dzongsar Khyentse é entrevistado pelo Shambhala Sun por seu estudante, Kelly Roberts.

Kelly Roberts: Eu só queria dizer que seu filme, A Copa, me lembrou muito você, particularmente quando a lata de Coca Cola dissolveu Manjushri.

Dzongsar Khyentse Rinpoche: Realmente.

KR: Em muitos lugares no seu filme, você substitui itens tradicionais por modernos. Por exemplo, as tigelas de oferendas no santuário são substituídas por latas de Coca e as bandeiras de oração no teto do monastério são substituídos por uma antena de satélite. Pergunto-me por que você fez isso, porque geralmente você é bastante preocupado sobre o budismo tradicional sendo corrompido.

DKR: Isso é algo que quero dizer aos meus companheiros tibetanos e butaneses – que a tecnologia moderna não é uma ameaça ao dito budismo tradicional. A sociedade deles apenas está começando a ser exposta ao mundo do fax, telefone e internet. Eles podem se sentir desconfortáveis com a mudança, mas o fato é que não podemos mais ir a algum lugar onde não haja tecnologia moderna.

Não podemos evitar a tecnologia – ela já está na entrada de nossa casa, se é que não está dentro dela. Então, em vez de permitir essas coisas nos influenciarem, a coisa sábia a fazer é utilizar-se do poder e da velocidade dela – ser a influência em vez de ser influenciado. Podemos usar o telefone, a web e a televisão para ensinar em vez de eles nos ensinarem. Podemos usar o poder e a velocidade da tecnologia.

KR: Você comparou seu filme a uma versão moderna de uma pintura thangka ou de uma estátua budista.

DKR: Toda cultura tem um jeito diferente de contar uma história, e eu senti que talvez eu devesse contar a história em uma visão tibetana.

KR: Essa seria sua forma de ensinar?

DKR: Não, nem um pouco. O Budismo tem uma longa tradição usando imagens para representar sabedoria e compaixão. Na sua história de 2500 anos, podemos ver que o budismo adotou alguns métodos de expressar o darma – através da pintura, escultura, arquitetura, atuação. Isso existiu mesmo durante o tempo de Buda. O próprio Buda no Sutra de Vinaya discute como pintar os cinco reinos e os doze elos da originação dependente como vemos na roda da vida. Então há uma antiga tradição no budismo de usar imagens e os filmes podem fazer isso também. Por quê não? Pra mim, filmes podem ser o thangka moderno… [+]

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