“Richard Rorty e a filosofia sem fundamentos” – Edna Magalhães do NASCIMENTO

Cognitio-Estudos – Revista eletrônica de filosofia, v. 17 n. 1 (2020)

Resumo: O objetivo deste trabalho consiste em compreender a reflexão desenvolvida por Rorty acerca de uma filosofia sem fundamentos. A obra de Rorty foi caracterizada por muitos de seus estudiosos como tendo um eixo duplo de propósitos que combina: primeiro, uma tarefa crítica de rejeição a uma forma tradicional de reflexão filosófica e segundo, a construção de um conjunto de proposições voltado para o desenho de um novo projeto filosófico. Esse empreendimento é encarado por Rorty como uma maneira de levar às últimas consequências o projeto iluminista, através das rupturas inovadoras produzidas por seus “heróis” filosóficos particulares, uma galeria composta pelos pragmatistas norte-americanos clássicos como William James e John Dewey e por expoentes da filosofia europeia como Nietzsche, Wittgenstein e Heiddeger. O antifundacionismo de Rorty pode ser compreendido como motivos suficientes para propor uma reforma ou uma reconstrução da filosofia, uma vez que a filosofia tradicional tomou para si o papel de encontrar fundamentos últimos ou  princípios primeiros tanto de caráter metafísico quanto epistemológico para dar a palavra final em todos os aspectos da cultura e da ação humana. 

Palavras-chave: Richard Rorty. Filosofia sem Fundamentos. Antirrepresentacionismo.

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Após a publicação do Breviário em espanhol, dois estudantes andaluzes me perguntaram se era possível viver sem fundamentación. Respondi-lhes que era verdade não ter encontrado nunca uma base sólida em lugar nenhum e, no entanto, ter conseguido subsistir porque, com os anos, a gente se habitua a tudo, até a vertigem. E depois não estamos despertos e não nos interrogamos o tempo todo, sendo a lucidez absoluta incompatível com a respiração. Se estivéssemos, a cada momento, conscientes do que sabemos, se, por exemplo, a sensação da falta de fundamento fosse ao mesmo tempo contínua e intensa, cometeríamos suicídio ou cairíamos na idiotia. Só existimos graças aos momentos em que esquecemos certas verdades e isso porque durante esses intervalos acumulamos a energia que nos permite enfrentar as ditas verdades. Quando me desprezo, digo a mim mesmo, para recuperar a confiança, que, no final das contas, consegui me manter na existência ou num simulacro de existência com uma percepção das coisas que bem poucos poderiam suportar. Vários jovens na França confessaram que o capítulo que mais os atraiu foi O autômato, esta quintessência do intolerável. À minha maneira, devo ser um lutador,já que não sucumbi às minhas ruminações.

CIORAN, “Relendo…”, Exercícios de admiração. Trad. de José Thomaz Brum. Rio de Janeiro: Rocco, 2011.

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