Idolatria bolsominion é psicose coletiva | Portal E.M. Cioran News

Uma tragicomédia do absurdo, digna de um Ionesco. Como estudo de caso para sociólogos, antropólogos, neurocientistas e psiquiatras, é um prato cheio. “Brasil paralelo” não é uma metáfora. Já é um clássico do grotesco, atemporal.

Idolatria bolsonarista assusta população: análise de Aquias Santarém e Altamiro Borges (2 de novembro de 2022).

Petista infiltrado entre os bolsominions tira onda e se diverte com o delírio coletivo causado pela fake news de que o ministro Alexandre de Moraes tinha sido preso.

CAMUS EXPLICA:

O comandante-geral determina a política e, aliás, todos os principais problemas de administração. […] Um único líder, um único povo significa um único senhor e milhões de escravos. Os intermediários políticos que, em todas as sociedades, são as salvaguardas da liberdade desaparecem, dando lugar a um Jeová de botas, que reina sobre multidões silenciosas ou, o que dá no mesmo, limitadas a gritar palavras de ordem. Não se interpõe entre o chefe e o povo um organismo de conciliação ou de mediação, mas justamente o aparelho, quer dizer, o partido, que é opressor. Nasce assim o primeiro e único princípio desta baixa mística, o Führerprinzip (princípio autoritário), que restaura no mundo do niilismo uma idolatria e uma degradação do sagrado.

Mussolini, jurista latino, contentava-se com a razão de Estado, e o transformava apenas, com muita retórica, em absoluto. “Nada além do Estado, acima do Estado, contra o Estado. Tudo ao Estado, para o Estado, no Estado.” A Alemanha hitlerista deu a essa falsa razão sua verdadeira linguagem, que era a de uma religião. “Nossa missão divina”, escreve um jornal nazista durante um congresso do partido, “era reconduzir cada qual às suas origens, às Mães. Era realmente uma missão divina.” As origens, no caso, estão no grito primal. De que deus se trata? Uma declaração oficial do partido nos responde: “Todos nós, aqui embaixo, acreditamos em Adolf Hitler, nosso Führer… e (nós confessamos) que o nacional-socialismo é a única fé que leva o nosso povo à salvação.” 

CAMUS, Albert, “Terrorismo de Estado”, O homem revoltado. Trad. de Valerie Rumjanek. Rio de Janeiro: BestBolso, 2017.


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