“Carreira das palavras” – CIORAN

A história das ideias não passa de um desfilar de vocábulos convertidos noutros tantos absolutos: para disso nos convencermos basta sublinhar os acontecimentos filosóficos mais marcantes de um século a esta parte. Sabemos do triunfo da «ciência» na época do positivismo. Quem se reclamasse da ciência podia divagar à vontade: tudo lhe era permitido a… Continue lendo “Carreira das palavras” – CIORAN

“Lutero” – E. M. CIORAN

Ter fé não é tudo; importa ainda sofrê-la como uma maldição, ver em Deus um inimigo, um carrasco, um monstro e, todavia, amá-lo, projectando nele toda a. inumanidade de que dispomos, com que sonhamos… A Igreja fez de Lutero um ser pálido, degenerado, amável; Lutero protesta: Deus, sustenta ele, não é. o «tolo», nem o… Continue lendo “Lutero” – E. M. CIORAN

“Se te queres matar, por que não te queres matar?” – Fernando PESSOA

Poema declamado por Paulo Autran (1922-2007) https://www.youtube.com/watch?v=coCCJWHcmGU Se te queres matar, porque não te queres matar?Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,Se ousasse matar-me, também me mataria...Ah, se ousares, ousa!De que te serve o quadro sucessivo das imagens externasA que chamamos o mundo?A cinematografia das horas representadasPor actores de convenções… Continue lendo “Se te queres matar, por que não te queres matar?” – Fernando PESSOA

“Emil Cioran, o escafandrista do nada” – Pedro MEXIA

Expresso, Portugal, 13 de março de 2021 Ainda que o negrume seja quase idêntico ao dos livros posteriores, o tom poético-diarístico, exaltado e enojado, contrasta com a elegância e a contenção que fariam de Cioran um dos grandes estilistas de língua francesa Emil Cioran não conseguia dormir. Tinha 22 anos, concluíra os estudos universitários em… Continue lendo “Emil Cioran, o escafandrista do nada” – Pedro MEXIA

“Sobre a morte” – CIORAN

Certos problemas, uma vez aprofundados, isolam-nos na vida, esvaziam-nos de tudo: então não temos mais nada a perder ou a ganhar. A aventura espiritual ou a projeção indefinida em direção às formas múltiplas da vida, a tentação de uma realidade inacessível não são mais do que simples manifestações de uma sensibilidade exuberante, privada da seriedade… Continue lendo “Sobre a morte” – CIORAN

“A influência do Budismo na obra de Emil Cioran” – Arthur KAUFFMAN

Dissertação apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Mestre em Filosofia, realizada sob a orientação científica de António Jorge de Castro Caeiro, Universidade Nova de Lisboa, 2021. RESUMO: O presente trabalho propõe uma leitura da obra do filósofo romeno Emil Cioran (1911-1995), identificando nela uma clara influência budista quanto às suas… Continue lendo “A influência do Budismo na obra de Emil Cioran” – Arthur KAUFFMAN

“O nosso inquérito sobre o fado” – Fernando PESSOA

O ʺNotíciasʺ Ilustrado, 14 de abril de 1929, p. 14. O fado será ou não uma canção nacional? — os seus intuitos são moralisadores, ou pelo contrario antingirão uma feição dissolvente? — ha vantagem em dar ao fado o desenvolvimento necessario a elege-lo como uma especialisação artistica, etnica, ou musical? — turistico, poetico, saudosista, invocativo,… Continue lendo “O nosso inquérito sobre o fado” – Fernando PESSOA

“Mário de Sá-Carneiro (1890-1916)”: homenagem de Fernando PESSOA

Quando Antero de Quental suicidou-se, em 11 de setembro de 1891, Mário de Sá-Carneiro tinha apenas um ano e cinco meses de idade, de modo que aquele gesto radical, considerado lendário no mundo literário português, não chegou a marcá-lo diretamente. Em compensação, quando o seu melhor amigo, Tomás Cabreira Júnior, com quem escrevera a peça… Continue lendo “Mário de Sá-Carneiro (1890-1916)”: homenagem de Fernando PESSOA

“Meu coração não aprendeu nada” – Fernando PESSOA

https://www.youtube.com/watch?v=2mjyyCrf6eQ Mestre, meu mestre querido!Coração do meu corpo intelectual e inteiro!Vida da origem da minha inspiração!Mestre, que é feito de ti nesta forma de vida? Não cuidaste se morrerias, se viverias, nem de ti nem de nada.Alma abstracta e visual até aos ossos,Atenção maravilhosa ao mundo exterior sempre múltiplo,Refúgio das saudades de todos os deuses… Continue lendo “Meu coração não aprendeu nada” – Fernando PESSOA

“Magia e fatalidade” – CIORAN

É penoso para mim imaginar a alegria daqueles que são dotados de uma sensibilidade mágica - esses indivíduos que sentem tudo em seu poder, para quem nenhuma resistência é irredutível nem qualquer obstáculo insuperável. A magia supõe uma comunhão tão estreita com a existência que toda manifestação subjetiva compara-se a uma pulsação da vida. Ela… Continue lendo “Magia e fatalidade” – CIORAN