Pré-Rivarol: Cioran na imprensa brasileira entre 1949/50

Não fosse a conquista do prêmio Rivarol para escritores estrangeiros de língua francesa, sediado no salão do hotel Pont-Royal, em Paris, em 24 junho de 1950, Cioran não teria entrado no radar cultural e literário brasileiro logo na década de 1950. Na verdade, por incrível que pareça, as primeiras menções ao escritor romeno de expressão francesa, e ao seu livro de estreia no idioma estrangeiro, o Précis de décomposition, datam já de 1949, o mesmo ano da publicação do livro, um ano antes do prêmio. Trata-se de um artigo, escrito na França, por um dos membros do júri, Daniel-Rops, traduzido, publicado e republicado em dois periódicos brasileiros: primeiro no suplemento literário (“Letras e Artes”) do jornal carioca A Manhã, em 22 de maio de 1949, intitulado “Irradiação da língua francesa (colaboração da França)”, e dois dias depois em outro jornal carioca, O Jornal, intitulado “Esplendor da língua francesa” (24 maio de 1949).

1949 Artes e Letras - Suplemento Literário de A Manhã ano 3 no 126 22mai1949

Ora, 22 ou mesmo 24 de maio é ainda muito cedo, uma data bastante recuada em relação à entrega do prêmio Rivarol conquistado pelo Breviário,  em 24 de junho de 1950, e também à publicação e distribuição do livro, no segundo semestre de 1949. Cioran havia enviado o manuscrito da versão final à editora Gallimard em março de 1947. Daí à publicação do livro, serão mais de 2 anos de espera. Algumas considerações interessantes de ordem biográfica, no intuito de cruzar datas e acontecimentos. Na biografia de Cioran por Gabriel Liiceanu:

Dois penosos anos de espera se seguem. Cioran é um débutant [estreante], a publicação do livro é adiada sob diversos pretextos. Até o dia que lhe sinalizam a organização de um concurso destinado a recompensar o melhor manuscrito francês escrito por um estrangeiro. O  texto do Précis impressiona. Este acontecimento arranca bruscamente as Éditions Gallimard de sua inércia, e o livro é colocado à venda no intervalo de alguns meses. E o autor começa a fazer com que falem dele: “Eu sou admitido agora nos meios parisienses mais interessantes, grandes escritores, etc.”, escreve ele a seus pais em 9 de junho de 1949. O Précis, já em fase de impressão em junho, será lançado apenas no outono, com as grandes publicações de início [de ano estudantil].[1]

É provável que, durante a espera, Cioran tivesse enviado, ao júri do prêmio Rivarol, uma cópia do manuscrito enviado 2 anos antes à Gallimard. Como explica Liiceanu, a publicação do livro ficou emperrada, sendo adiada diversas vezes, até ser acelerada, no segundo semestre de 1949, pela notícia de que o livro concorria ao prêmio Rivarol, e tudo indicava que o levaria. Daniel-Rops, pseudônimo de Henri Petiot (1901-1965), escritor e historiador católico francês, e membro do júri, provavelmente teve acesso ao Précis antes mesmo de sua publicação. É digno de nota que o texto de Daniel-Rops, e no qual o Précis é mencionado pela primeira vez na imprensa brasileira, em 22 de maio de 1949, seja anterior, em um intervalo de muitos meses, aos principais artigos sobre o début de E.M. Cioran na imprensa, como por exemplo o de Maurice Nadeau, na revista Combat (29 de setembro de 1949) e o de André Maurois em Opera (14 de dezembro de 1949). E, o que é mais notável, anterior à publicação e comercialização, na França, do Précis de décomposition.

É possível que o texto de Daniel-Rops tenha sido publicado originalmente em francês, na França. Trata-se de um arrazoado em torno do prêmio Rivarol, da perspectiva de um jurado, a favor de sua importância cultural e da riqueza de textos, do gênero da ficção ou não-ficção, que são submetidos para julgamento. Escreve Daniel-Rops: “No meio da grande quantidade de premios literários que Paris confere todos os anos, é natural que o público da França e de além-fronteiras se perca um pouco.” (DANIEL-ROPS, 1949a) Após destacar a presença ilustre, entre os jurados, de André Gide, Georges Duamel, Jules Romains, Jean Paulhan e Gabriel Marcel, Daniel-Rops argumenta que o prêmio Rivarol consagra a “irradiação da língua francesa, que tantas manifestações dá de sua presença no mundo.” (DANIEL-ROPS, 1949a)

Após destacar elogiosamente dois escritores que ele julga talentosos e merecedores do prêmio, Daniel-Rops destaca negativamente dois outros, cujos textos, muito embora elogiados por figuras importantes como Jean Paulhan e Jules Supervielle, o desagradam. Os elogiados são o russo e o Wladimir Weidlé libanês Farjallah Haik. Os candidatos criticados são justamente Cioran (apenas o sobrenome) e o judeu palestino Elian J. Finbert. A primeira ocorrência do nome “Cioran”, e de sua aclamada estreia em francês, “Précis de décomposition”, antes mesmo de sua publicação pela Gallimard e do anúncio oficial de sua conquista do prêmio Rivarol, portanto, é uma menção negativa! Ao mesmo tempo em que Daniel-Rops apresenta ao leitor brasileiro, pela primeira vez, talvez sem querer, esse desconhecido de nome Cioran, afirma que seu texto, “amargo e violento, que faz pensar, sob certos aspectos, em Nietzsche”, não merece ser lido, quanto menos ganhar o prêmio Rivarol.[2]

Augusto Frederico Schmidt, primeiro comentador e crítico de Cioran no Brasil

Ainda antes da entrega do Rivarol, em 24 de junho de 1950, e antes de os jornais brasileiros começarem a dar a noticia do prêmio entregue a Cioran, uma importante ocorrência, e nem um pouco casual, de Cioran, por alguém que também adquiriu o Précis em primeira mão, assim que foi lançado. No Correio da Manhã (mais um jornal carioca) de 31 de janeiro de 1950, o texto intitulado “O corpo do desconhecido”, escrito pelo poeta Augusto Frederico Schmidt, é inteiramente centrado no recém-lançado Précis de décomposition.

O autor, cristão, fundador da Livraria Católica no Rio de Janeiro (posteriormente Livraria Schmidt Editora) e editor de autores integralistas como Plínio Salgado, manifesta uma mescla de assombro admirado e reprovação. Diferentemente de Daniel-Rops, que se limita a desaconselhar a leitura de Cioran, não deixando dúvidas sobre sua impressão negativa do Breviário, que mal se dá o trabalho de comentar, o texto de Schmidt – muito embora em tom de lamentação, como quem admite que Cioran tem razão, mas prefere aferrar-se a sua fé – tem o efeito de suscitar a curiosidade e o interesse de quem o lê por esse romeno desconhecido que escreve livros tão perturbadores em língua francesa.

Schmidt se detém, pessoalmente impactado, em uma passagem do Breviário, o texto “A cruz inclinada”. Ele se dá o trabalho de traduzir e citar um trecho, quase 40 anos antes de sua primeira tradução oficial, por José Thomaz Brum. Comparemos as duas traduções. Antes de citar Cioran, leiamos o que Schmidt escreve sobre ele:

Augusto Frederico Schmidt (1950)José Thomaz Brum (1989)
Há um trecho do livro de Cioran (E.M.) – “Précis de décomposicion” (sic), que é uma espécie de breviário da desesperança, em que esse pasmoso escritor romeno nos fala do Cristo (e do Cristianismo) como de alguma coisa que está tocando ao seu fim.

“Jesus se esvai: não só os preceitos como a sua doçura irritam: seus milagres e a sua própria divindade prestam-se ao sorriso. A cruz começa a cair: de símbolo torna-se matéria… e como matéria retoma o caminho da decomposição em que perecem todas as coisas, as indignas e as honradas”.

 

 





Jesus torna-se cada dia mais insosso; tanto seus preceitos como sua mansidão irritam; seus milagres e sua divindade provocam sorrisos. A Cruz se inclina: de símbolo, volta a ser matéria…, e entra de novo na ordem da decomposição na qual perecem sem exceção as coisas indignas ou honoráveis.[3]

1950 - Correio da Manhã ano XLIX no 17448 31jan1950

A descrição que Schmidt faz de Cioran suscita a imagem de um personagem niilista de Dostoiévski, ou de um nietzschiano do mau humor. Nietzsche é trazido à baila, mas para efeito de contraste. Escreve Schmidt: “Não sei, não conheço livro tão penetrado pelo desespero como o de Cioran. O eco dêsse autor, em quem o lê, deve ser semelhante à surpresa que Nietzsche provocou nos seus contemporâneos, nos que de repente se encontravam com o espetáculo que nascia do pensamento do homem de Zaratrusta (sic) e da Genealogia da moral.” (SCHMIDT 1950a) Cioran lhe parece um Nietzsche desiludido e desilusionista, decepcionado com a Vontade de Potência, amargo e incrédulo sobre o Além-do-homem, demasiado pessimista. Ao passo que Nietzsche, pondera Schmidt, “suscitava a afirmação de certos valores perenes; um frêmito se desprendia dêsse temerário. Cioran, porém, convida ao abandono de qualquer indignação, à indiferença gelada. Em lugar do Super-Homem, o homem-vazio, o homem sem mais curiosidade, resignado ao seu destino de apodrecer como os continentes e as estrelas…”

Schmidt parece partir de uma perspectiva existencial cristã ao modo de Kierkegaard, quando este afirma a incompatibilidade entre a fé cristã e a modernidade, de onde, por uma retórica negativa, a impossibilidade de ser cristão. O leitor brasileiro de Cioran, católico fervoroso, se lamenta do declínio da fé cristã no mundo moderno, pós-guerra, com suas promessas de um futuro melhor, mais pacífico e próspero, e usa o niilismo do filósofo romeno como instrumento retórico de uma crítica ao cristianismo no interior do cristianismo, partindo, no caso, de um cristão tradicionalista (ou talvez mesmo integralista), inconformado com os desdobramentos, na modernidade secular, de sua religião e da Igreja que a representa.

Deixemos de lado a diatribe de Schmidt contra o cristianismo e passemos direto ao que nos interessa: seus juízos e considerações sobre Cioran. Segundo Schmidt, “essa sociedade mascarada de cristã, e que provocou o estado de enfermidade espiritual, de Cioran, é exatamente o contrário do cristianismo. É uma sociedade em que todos se perdem porque todos se querem salvar, não importa como, e sempre sòzinhos.” (SCHMIDT 1950a[4]) Sobre este último ponto, Schmidt se mostra em sintonia com Cioran, quando este afirma que a “sociedade é um inferno de salvadores”. Quanto à suposta “sociedade mascarada de cristã”, que seria a causa da enfermidade espiritual de Cioran, como afirma Schmidt, de que sociedade – e de que cristianismo – se trata? Há controvérsias: Cioran nasceu num vilarejo na Transilvânia, no seio de uma família cristã ortodoxa, tendo como pai um sacerdote, um pope, e esse cristianismo primitivo, ou ao menos pré-moderno, que Cioran conheceu desde pequeno, não parece enquadrar-se na “sociedade mascarada de cristã” denunciada por Schmidt. Se há uma crítica violenta (cética, cínica, niilista) do cristianismo na obra de Cioran, como tem, é tanto em virtude da experiência de vida e da erudição livresca (o ateísmo alemão, o niilismo russo) quanto pelo fato de que, para Cioran (como para Nietzsche antes dele) o cristianismo é em si a enfermidade espiritual.

O efeito-Cioran foi tão eficaz que Schmidt tornará a polemizar com o autor do Précis mais 2 vezes no mesmo jornal, em um curtíssimo intervalo de tempo. Em 5 de fevereiro de 1950, poucos dias depois de “O corpo do desconhecido”, Schmidt publica, na mesma coluna do Correio da manhã, um artigo intitulado “Tédio e decomposição”, que poderia ser justamente reconhecido, mais que o anterior, como o grande marco inaugural da crítica cioraniana no Brasil. Neste texto, pautado por um duplo registro discursivo, crítico (de Cioran) e edificante (do humanismo e da espiritualidade cristã), ele deixa claro o seu desgosto pelo pensamento de Cioran, escreve com todas as letras a conclusão que Daniel-Rops deixara em suspenso: o Breviário é um livro que não deve ser lido. Certamente pensando nos textos iniciais do livro, “Genealogia do fanatismo” e “O antiprofeta”, Schmidt lamenta o cinismo pelo qual Cioran faz o elogio do hamletismo, da veleidade e da preguiça, da inutilidade e da corrupção:

Para êsse terrível autor a culpa das desgraças, das misérias, das contorções dêste nosso tempo e dos outros tempos tem sua origem sempre nos homens de fé, nos que afirmam e nos que crêem. Dos céticos, dos espíritos sem sol ou sombra – nunca vieram males maiores; são os ardentes, os afirmativos que geram os grandes males. São os reformadores que suscitam as demências, a volta às barbáries que pareciam ultrapassadas mas de repente retornam com as provocações dos que Cioran denomina os idólatras.

1950 Correio da Manhã ano XLIX no

Até aqui, uma leitura tecnicamente exata, conforme ao espírito e à letra do autor. Mas, o que mais nos interessa são as conclusões e os juízos hermenêuticos de Schmidt, a sua impressão subjetiva, e afetiva, a partir da leitura do Précis de décomposition. Schmidt é o primeiro grande comentador e crítico da obra de Cioran em território brasileiro, o primeiro a dedicar-lhe um espaço considerável em suas colunas de jornal, a partir de janeiro de 1950. Confirmando a opinião de Daniel-Rops, ele considera o Précis “um livro horrível”, “desagregador”, no qual o autor “destrói as estrelas, os continentes e as almas, com um tom entre o lírico e o cínico. […] Tôda a história do homem sôbre a terra é farsa e amargura, resume Cioran, mas a descoberta dêsse segredo como que faz levitar o homem indiscreto que ousou arrancar a máscara da hipocrisia que esconde a verdadeira fisionomia do homem no mundo.” (SCHMIDT 1950b) Resumindo, o Breviário é um livro que “não deve ser lido, porque é dos poucos que realmente fazem mal”, justamente por ser um livro triste “em que tantas verdades são ditas, e em que a Verdade não raro se vela e esconde”, numa “sucessão de verdades sobre a miséria, a vaidade, a inutilidade de todo o esforço, o bem que semeado faz frutificar, o equívoco, a desgraça, o mal.” (SCHMIDT 1950b)

Lendo esse livro perigoso, proibido para menores, Schmidt confessa que pensou “bem mais no ser que o escreveu do que nas coisas por êle escritas, nas afirmações, nas blasfêmias, nas realidades que contém êsse tratado da decomposição. Que espécie de menino, que infância terá tido E. M. Cioran?”, interroga-se o poeta brasileiro (SCHMIDT 1950b). Ora, é natural que a obra de Cioran, visceralmente ligada à sua experiência de vida, remeta constantemente àquele que a engendrou. Nenhuma diferença, nenhum intervalo entre o que se é, o que se concebe, o que se pensa, o que se escreve. “Quando um pensamento nos possui com força e violência, surge da substância de nossa existência. […] Um pensador deve ser tudo o que diz. Isso, aprende-se dos poetas, e das voluptuosidades e dores que se experimenta vivendo.”[5] Uma obra que não suscite a curiosidade pelo seu criador é desinteressante.

Por fim, apesar de todo o desgosto manifestado a propósito desse tal de Cioran, cujo livro virulento, que não deveria ser lido por ninguém, acabaria levando o prêmio Rivarol, Schmidt reconhece ao menos um ponto positivo:

O que há, porém, de menos perigoso em Cioran é que no fundo de toda essa luta para nada deixar de pé, podemos descobrir uma alegria feroz de ousar dizer tudo, de vencer as limitações e a grande timidez, de sentir-se desprendido de todos os sentimentos, nu diante de tudo, sem compromisso com o céo e a terra, dessacralisado inteiramente, o que sempre reflete uma certa ingenuidade nesse homem que se julga o mais lúcido e desabusado dos seres. (SCHMIDT 1950b[6]).

Cioran é mencionado uma terceira vez, em um texto publicado dois dias depois no Correio da Manhã, intitulado “O alvo das contradições” (7 de fevereiro de 1950), mas neste caso en passant (com certo desprezo), de forma insubstancial, no contexto de uma pregação cristã. No mesmo tom de lamento nostálgico e idealista de uma cristandade ultrapassada e suplantada pelo mundo moderno, como no primeiro dos três textos, aqui ele se questiona: “Mas onde há vida cristã, nesta hora do mundo? Basta agora arranhar um pouco e logo a côr efêmera das coisas se desfaz – e o que surge é o pálido, o incolorido dessa decomposição que o escritor Cioran anunciou há pouco como se tivesse descoberto um novo continente.” (SCHMIDT 1950b[7])

Por fim, ainda no período que antecede a entrega do prêmio Rivarol ao Breviário, entre 1949 e 24 de junho de 1950, cumpre notar também uma última menção de Cioran, neste caso positiva, ainda que passageira, no texto assinado por Alcântara Silveira, “Três perguntas para Dora Ferreira da Silva”, e publicado no jornal carioca A Manhã (14 mai. 1950). Este outro leitor adiantado do Précis escreve: “Há uma poesia que altera, como diz Cioran, ‘o curso, a espessura e a qualidade do nosso sangue’.[8] Tal é a poesia de Rilke, criadora de um espaço próprio, em cuja intimidade ingressamos com aquêle espanto imaturo do noviço da gravura de Doré.”[9]


Notas:

[1] LIICEANU, Gabriel, Itinéraires d’une vie : E.M. Cioran, p. 64, 67.
[2] DANIEL-ROPS, “Irradiação da língua francesa (colaboração da França)”, Suplemento cultural Letras e Artes, A Manhã, Rio de Janeiro, ano 3, no 126, 22 de maio de 1949, p. 4.
[3] CIORAN, E.M., Breviário de decomposição, p. 137.
[4] SCHMIDT, Augusto Frederico, “O corpo do desconhecido”, Correio da Manhã, Rio de Janeiro, ano XLIX, no 17.448, 31 de janeiro de 1950.
[5] CIORAN, Emil, Le crépuscule des pensées, Œuvres, p. 425-426.
[6] SCHMIDT, Augusto Frederico, “Tédio e decomposição”, Correio da Manhã, Rio de Janeiro, ano XLIX, no 17.453, 5 de fevereiro de 1950.
[7] IDEM, “O alvo das contradições”, Correio da manhã, Rio de Janeiro, ano XLIX, no 17.454, 7 de fevereiro de 1950.
[8] Ele se refere à segunda parte do texto “O parasita dos poetas”, dividido em três partes: “Nisto reconheço um verdadeiro poeta: frequentando-o, vivendo muito tempo na intimidade de sua obra, algo se modifica em mim: não tanto minhas inclinações ou meus gostos, mas meu sangue mesmo, como se um mal sutil houvesse se introduzido nele para alterar seu curso, sua espessura e sua qualidade.” CIORAN, E.M., Breviário de decomposição, p. 105.
[9] Letras e Artes, A Manhã, ano IV, no 1964, 14 de maio de 1950.

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