Cioran na (n.t.) Nota do Tradutor

Desde 2014, a revista Nota do Tradutor, ou simplesmente (n.t.), tem publicado ensaios e aforismos de Cioran até então inéditos em português. Face à indisponibilidade de suas obras completas — francesa e romena — em língua portuguesa, Cioran tem encontrado uma especial acolhida na (n.t.), sub auspiciis Gleiton Lentz. Abaixo, as publicações de Cioran, e autores relacionados, na revista (n.t.) Nota do Tradutor.

Encontros com o suicídio | Rencontres avec le suicide, de E. M. Cioran. In: Revista (n.t.), nº 23, vol. especial (“Suicidário”), 2021.

O texto: Seleção de aforismos de “Rencontres avec le suicide”, um dos capítulos de Le mauvais démiurge (1969), de E. M. Cioran. Trata-se de ruminações, variações sobre a questão capital, muitas das quais vacilações em torno do suicídio, cuja ideia é priorizada em detrimento de sua realização. São “encontros e desencontros” com o suicídio que, levando a compreender suas razões, fazem da vida uma apaixonada luta contra as evidências, um “estado de não-suicídio”.

Texto traduzido: Cioran, E. M. “Rencontres avec le suicide”. Le mauvais démiurge (1969). In. Œuvres. Paris: Gallimard, 1995, pp. 1203-1217.

O tradutor: Rodrigo Menezes é Doutor em Filosofia pela PUC-SP. Além de tradutor, é professor de idiomas, blogueiro e pesquisador acadêmico da obra de Cioran. Para a (n.t.) já traduziu Cioran, Héctor Escobar Gutiérrez e Mihai Eminescu.


Breviário do Caos | Bréviaire du Chaos, de Albert Caraco. Revista (n.t.), nº 23, vol. especial (“Suicidário”), 2021.

O texto: Excertos de Bréviaire du Chaos, de Albert Caraco, livro publicado em 1982 que se caracteriza por sua prosa mortuária e quase automática, como uma espécie de Litania do Caos. Os textos (não titulados) se destacam pela locução rudimentar, desprovida de qualquer preocupação estilística, com longas sentenças marcadas pelo excesso de vírgulas, como um caótico fluxo de consciência para a morte. No breviário, o autor aborda temas como o absurdo da história e a decadência da civilização, a alienação do homem moderno e a solidão das grandes cidades, a reificação e a massificação da subjetividade, a dissolução, a morte e o caos, onde o suicídio, curiosamente, não é enunciado uma vez sequer.

Texto traduzido: Caraco, Albert. Bréviaire du Chaos. Lausanne: L’Age d’Homme, 1999.

O autor: Albert Caraco (1919-1971), poeta, escritor e filósofo de origem turca, ascendência judaica e nacionalidade franco-uruguaia, nasceu na antiga Constantinopla. Personagem cosmopolita, viveu em Praga, Berlim, Viena, Paris e Montevidéu. Na Segunda Guerra, seus pais fugiriam para a América do Sul, passando pelo Rio de Janeiro e Buenos Aires antes de se instalarem no Uruguai. Ao retornar à Europa, sua visão de mundo se viu dominada pela evidência do mal e do caos contra os quais indivíduos e povos não têm defesa. Pela radicalidade de seu pensamento, aproxima-se de outros autores judeus, como Otto Weininger e Carlo Michelstaedter. Após a morte de seus pais, suicidou-se aos 52 anos, enforcando-se.

O tradutor: Rodrigo Menezes é Doutor em Filosofia pela PUC-SP. Além de tradutor, é professor de idiomas, blogueiro e pesquisador acadêmico da obra de Cioran. Para a (n.t.) já traduziu Cioran, Héctor Escobar Gutiérrez e Mihai Eminescu.


A oração de um dácio | Rugăciunea unui dac (poema de Mihai Eminescu) – (n.t.) Revista Literária em Tradução, nr. 22, ano XI, vol. 1, junho de 2021.

O texto: Escrito em 1879 e publicado em 1884, “Rugăciunea unui dac” (“A oração de um dácio”) é um poema intrigante, em virtude dos paradoxos e da ambivalência no trato com a divindade. O dácio, que assume a voz poética, é um dos ancestrais do povo romeno (como os trácios), antes da invasão romana. O poeta moderno encarna seu ancestral longínquo para dar voz à sua lamentosa oração, alternando entre bendição e maldição, louvor e anátema, salvação e perdição. No poema, o dácio anseia pela beatitude do “eterno repouso” no nada absoluto, e para garantir que não haverá obstáculos ao seu desejo, exige que a divindade amaldiçoe todo homem que tiver piedade dele, mediante uma oração negativa e de aparência niilista que subverte a fé religiosa ortodoxa, invertendo o que normalmente se entende por vantagem e desvantagem, o melhor e o pior a ser desejado.

Texto traduzido: Eminescu, M. „Rugăciunea unui dac”. In. Poezii. Bucureşti: Casa de Editură şi Presă „Viaţa Românească”, 1991, pp. 105-106.

O autor: Mihai Eminescu (1850-1889), poeta, romancista e ensaísta romeno, nasceu em Botoşani. Considerado o poeta nacional da Romênia por antonomásia, foi um espírito universalista cujas influências incluíam, para além do horizonte nacional, a filosofia de Schopenhauer e o Romantismo, no âmbito da cultura ocidental, o Budismo e a tradição dos Vedas, na oriental. Teve uma existência romântica por excelência, para a qual vida e criação estiveram dolorosamente vinculadas, como uma questão de destino. Viveu apenas 39 anos, terminando sua vida em uma instituição psiquiátrica, acometido de demência. Dentre suas obras, destacam-se a prosa Sarmanul Dionis (Pobre Dionísio), de 1872, e os poemas Luceafărul (Vésper) e Mai am un singur dor (Resta-me um só desejo), ambos de 1883.

O tradutor: Rodrigo Menezes é doutor em Filosofia pela PUC-SP, pesquisador da obra de Cioran, tradutor e editor do Portal E.M. Cioran Brasil (2010-2020). Para a (n.t.) traduziu ensaios de Cioran e a poesia de Héctor Escobar Gutiérrez.


Pensamentos extraviados | Gînduri rătăcite(n.t.) Revista Literária em Tradução, nr. 19, ano IX, vol. 2, dezembro de 2019.

O texto: Seleção de “pensamentos extraviados” a partir de Razne (1945-46), um dos últimos livros em romeno de Cioran, escrito pouco antes de adotar o francês como língua de expressão. A obra, que ficou perdida por mais de meio século, até ser publicada postumamente em 2012, apresenta uma série de aforismos emblemáticos do filósofo trágico, herdeiro de Nietzsche, do escritor dividido entre duas línguas, entre duas “pátrias linguísticas”.

Texto traduzido: Cioran, E.M. Razne. Bucureşti: Humanitas, 2012. Trad. Rodrigo Menezes.


Do pomar maldito | Du verger maudit(n.t.) Revista Literária em Tradução, nr. 19, ano IX, vol. 2, dezembro de 2019.

Em um de seus cadernos, Cioran comenta sobre um artigo que havia sido publicado num jornal brasileiro , em 1968: “No Jornal do Commercio do Rio de Janeiro, em 2 de novembro de 1968, um desconhecido, Correia de Sá, acaba de escrever um dos artigos mais sérios já escritos sobre mim. Que seja em um ‘Jornal do Comércio’, isso me agrada”. O artigo “E.M. Cioran, pessimista quase perfeito” integra uma série de publicações sobre o pensador assinada por Correia de Sá ao final da década de 1960, no Jornal do Commercio do RJ. Sá publicou também duas traduções: a seleção de aforismos, “Do pomar maldito de Cioran”, (27/04/1969) e o fragmento “Valery por Cioran” (04/07/1970). 

Organização: Rodrigo Menezes, do Portal E.M.Cioran.
Fac-símiles: Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.
Fontes consultadas: Do português: “Do pomar maldito de Cioran”. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, n. 174, 27 de abril de 1969, e “Valery por Cioran”, Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, n. 230, 4 de julho de 1970. Em francês: Cioran, E.M. Œuvres. Paris : Gallimard, 1995.


Duas diatribes | Deux diatribes(n.t.) Revista Literária em Tradução, nr. 17º, 2º vol., dez. 2018

Textos traduzidos: Cioran, E.M. “Portrait du civilisé”. La chute dans le temps (1964). In. Œuvres. Paris: Gallimard, 1995, pp. 1084-1095; “Les nouveaux dieux”. Le mauvais démiurge (1969). In. Œuvres. Paris: Gallimard, 1995, pp. 1179-1191.

O tradutor: Rodrigo Menezes é Doutor em Filosofia pela PUC-SP, blogueiro, tradutor e estudioso da obra de Cioran, tendo escrito vários artigos sobre o pensador. Para a (n.t.) já traduziu Cioran e Héctor Escobar Gutiérrez.


Poética da heresia | Poética de la herejía (n.t.) Revista Literária em Tradução, nr. 12, 1º vol., jun. 2016.

Textos traduzidos: Escobar Gutiérrez, Héctor. El libro de los cuatro elementos. Pereira: Editorial Gráficas Olímpica, 1991; El punto y la esfera. Pereira: Talleres de Litografia Moderna Digital, 2004; Estetas y heresiarcas. Pereira: UNE Ediciones, 1987.

O tradutor: Rodrigo Inácio Ribeiro Sá Menezes é natural de Salvador, Bahia. Para a (n.t.) traduziu ensaios de Emil Cioran.


A urgência de escrever | L’urgence d’écrire(n.t.) Revista Literária em Tradução, nr. 9, novembro de 2014.

Textos traduzidos: Cioran, Emil M. “Démiurgie verbale”. La tentation d’éxister (1956). In. Œuvres, Paris: Gallimard, 1995, pp. 942-945; “Urgence du pire”. Écartèlement (1979). In. Œuvres. Paris: Gallimard, 1995, pp. 1434-1442.

Os tradutores: Rodrigo Menezes é doutorando em Filosofia pela PUC-SP, com tese sobre escritura e niilismo em Cioran. Luiz Cláudio Gonçalves é Doutor em Letras, professor de Filosofia Antiga na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) e pesquisador de Cioran.