“Necessidade e Contingência, o ‘Irreparavelmente Já Sabido Desde Sempre’ e o Imponderável do Não-Saber Essencial (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Só se suicidam os otimistas, os otimistas que não conseguem mais sê-lo. Os outros, não tendo nenhuma razão para viver, por que a teriam para morrer? (Silogismos da amargura) Poucas são as filosofias capazes de equilibrar, numa rara harmonia na tensão, os princípios ontológicos antinômicos da necessidade e da contingência; ora necessidade, ora contingência, ou… Continue lendo “Necessidade e Contingência, o ‘Irreparavelmente Já Sabido Desde Sempre’ e o Imponderável do Não-Saber Essencial (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“Um pessimismo (mui) pouco trágico: Cioran lido por Clément Rosset” – Rodrigo MENEZES

Trata-se de contrapor e fazer dialogar duas filosofias, dois modo de pensar (o homem, a existência, a vida e a morte, o tempo) que têm muito em comum, mas cujas conclusões podem ser radicalmente divergentes: a filosofia trágica, afirmativa e aprobatória de Clément Rosset (tendo como corolário a alegria como "force majeure"), na linha de… Continue lendo “Um pessimismo (mui) pouco trágico: Cioran lido por Clément Rosset” – Rodrigo MENEZES

“Crítica de um certo uso das filosofias de Nietzsche, Marx e Freud” (Clément Rosset)

Numa obra que, de certo modo, anunciava na França o verdadeiro início dos estudos nietzscheanos, Georges Bataille desenvolve o tema seguinte: Nietzsche teria sido o primeiro filósofo a fundar uma filosofia sobre o "não-sentido", ou o acaso, libertando sua representação do mundo de todo pensamento racionalizante, finalista ou teológico. A este primeiro erro histórico (tais… Continue lendo “Crítica de um certo uso das filosofias de Nietzsche, Marx e Freud” (Clément Rosset)

Dos males, o pior: a filosofia trágica de Clément Rosset

Nonfilozofie: ideile se sufocă de sentiment. [Não-filosofia: as ideias sufocam de sentimento.] (CIORAN, Amurgul gândurilor) Conseguir pensar o pior - tal é pois o alvo mais geral da filosofia terrorista, o cuidado comum a pensadores tão diferentes quanto os filósofos citados mais acima. A tais pensadores, esta infecta tarefa apareceu não somente como tarefa única,… Continue lendo Dos males, o pior: a filosofia trágica de Clément Rosset

“O castelo de Acaso” (Clément Rosset)

É sempre comprometedor recomendar seu pensamento a uma palavra; mais particularmente, quando essa palavra já recobre um certo número de acepções entre as quais nenhuma designa o que se tem propriamente em vista. Pode-se preferir calar; ou ainda, preferir criar uma palavra nova, que nada evocará no espírito do leitor e por isso correrá o… Continue lendo “O castelo de Acaso” (Clément Rosset)

“Annihilation, or the Anti-Nature” – Rodrigo MENEZES

Revista Saeculum, Universitatea "Lucian Blaga", Sibiu, anul XVII (XIX), no. 1/45 (2018), p. 51-70. [PDF] Abstract: This paper undertakes a philosophical analysis of the original motion picture “Annihilation” (2018) in light of Clément Rosset’s tragic philosophy, namely his 1973 book, L’anti-nature. It is all at once an homage to the philosopher who passed away just… Continue lendo “Annihilation, or the Anti-Nature” – Rodrigo MENEZES

“A força maior” – Clément ROSSET

"Os deuses ocultaram o que faz viver os homens." Hesíodo UMA DAS MARCAS mais seguras da alegria é, para empregar um qualitativo com ressonâncias desagradáveis sob vários aspectos, seu caráter totalitário. O regime da alegria é o do tudo ou nada: não há alegria senão total ou nula (e acrescentarei, antecipando o que virá a… Continue lendo “A força maior” – Clément ROSSET

“De inutensílios e dessantidades: a palavra poética em Manoel de Barros e Cioran” – Rodrigo MENEZES

Ninguém é pai de um poema sem morrer.Manoel de Barros Se leio um livro e ele torna o meu corpo tão frio que nenhum fogo seria jamais capaz de me aquecer, eu sei que aquilo é poesia. Se eu sinto, fisicamente, como se o topo de minha cabeça tivesse sido arrancado, eu sei que aquilo é poesia.Emily Dickinson CIORAN NÃO TEVE a oportunidade de conhecer este gigante, e… Continue lendo “De inutensílios e dessantidades: a palavra poética em Manoel de Barros e Cioran” – Rodrigo MENEZES

“O Autômato” – CIORAN

Respiro por preconceito. E contemplo o espasmo das ideias, enquanto que o Vazio sorri a si mesmo... Não há mais suor no espaço, não há mais vida; a menor vulgaridade a fará reaparecer: basta um segundo de espera. Quando se percebe existir, experimenta-se a sensação de um demente maravilhado que surpreende sua própria loucura e… Continue lendo “O Autômato” – CIORAN

“A-caso, o que não é o caso” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Nenhum conceito filosófico mais instável, em sua tradução do grego antigo, do que o "acaso". Ao menos desde Aristóteles, "acaso" diz-se de duas formas: Τύχη (týke) e αύτόματον (autómaton). Týke é também o nome de um divindade, especialmente venerada -- e temida -- no período helenístico (período definido por E.R. Dodds como "uma era de ansiedade"). Autómaton corresponde… Continue lendo “A-caso, o que não é o caso” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)