“A soberba inutilidade” – CIORAN

Fora dos céticos gregos e dos imperadores romanos da decadência, todos os espíritos parecem submetidos a uma vocação municipal. Só aqueles se emanciparam – uns pela dúvida, os outros pela demência – da obsessão insípida de ser úteis. Tendo promovido o arbitrário à categoria de exercício ou de vertigem, conforme fossem filósofos ou descendentes corrompidos… Continue lendo “A soberba inutilidade” – CIORAN

Leitura comparada: “O caso Sartre”, “Sobre um empresário de ideias” – CIORAN

Como o próprio título indica, "Le cas Sartre" é um requisitório contra o mandarim do existencialismo francês, escrito na segunda metade da década de 1940, quando Cioran começava a redigir aquele que seria o seu livro de estreia como escritor de língua francesa: o Précis de décomposition (1949).  "O caso Sartre" seria posteriormente descartado, estando… Continue lendo Leitura comparada: “O caso Sartre”, “Sobre um empresário de ideias” – CIORAN

“O animal metafísico” – CIORAN

Se se pudesse apagar tudo o que a Neurose inscreveu no espírito e no coração, todas as marcas malsãs que deixou neles, todas as sombras impuras que a acompanham! O que não é superficial, é sujo. Deus: fruto da inquietude de nossas entranhas e dos borborigmos de nossas ideias… Só a aspiração ao Vazio nos… Continue lendo “O animal metafísico” – CIORAN

O gosto das Ilusões e o gosto da Décadence: Cioran e a lucidez da decepção – Rodrigo MENEZES

Segundo Giovanni Rotiroti, a desilusão de Cioran em relação às suas crenças e esperanças utópicas de outrora começam a despontar antes mesmo do Breviário, em De la France, escrito ainda em romeno (Despre Franţa), na Paris de início da década de 1940, ocupada pelas forças alemãs. Muitas ideias do Précis de décomposition encontram-se enunciadas em… Continue lendo O gosto das Ilusões e o gosto da Décadence: Cioran e a lucidez da decepção – Rodrigo MENEZES

“Anulação pela libertação” – CIORAN

Uma doutrina da salvação só tem sentido se partirmos da equação existência-sofrimento. Não é nem uma constatação súbita, nem uma série de raciocínio o que nos conduz a esta equação, mas a elaboração inconsciente de todos os nossos instantes, a contribuição de todas as nossas experiências, ínfimas ou capitais. Quando carregamos em nós germes de… Continue lendo “Anulação pela libertação” – CIORAN

“O equívoco do gênio” – CIORAN

Toda inspiração procede de uma faculdade de exagero: o lirismo – e todo o mundo da metáfora – seria uma excitação lamentável sem esse ardor que incha as palavras até fazê-las estourar. Quando os elementos ou as dimensões do cosmo parecem demasiado reduzidos para servir de termos de comparação a nossos estados, a poesia só… Continue lendo “O equívoco do gênio” – CIORAN

“Do bom uso de Cioran” – François BOTT

La Nouvelle Revue Française, nr. 368, setembro de 1983 Os grandes escritores nos dão todas as cartas. Eles nos dão uma “mão” generosa, jogam um “straight flush”.[1] Cabe a nós então jogar, ter cuidado com o destino e com nós mesmos, com as astúcias do adversário que se dissimula em nossos pensamentos, com a pretensão… Continue lendo “Do bom uso de Cioran” – François BOTT

“Teologia” – CIORAN

Estou de bom humor: Deus é bom; estou melancólico: é mau; indiferente: é neutro. Meus estados lhe conferem atributos correspondentes: quando gosto do saber, é onisciente, e quando adoro a força, é todo-poderoso. Parece-me que as coisas existem? Ele existe; parecem-me ilusórias? Ele se evapora. Mil argumentos o apoiam, mil o destroem; se meus entusiasmos… Continue lendo “Teologia” – CIORAN

“O Homem carcomido” – CIORAN

Não quero mais colaborar com a luz nem empregar o jargão da vida. Não tornarei a dizer: “Eu sou” sem enrubescer. O despudor do alento, o escândalo da respiração estão ligados ao abuso de um verbo auxiliar… Já passou o tempo em que o homem se pensava em termos de aurora; repousando sobre uma matéria… Continue lendo “O Homem carcomido” – CIORAN

“Imunidade contra a renúncia” – CIORAN

Tudo o que se refere à eternidade transforma-se inevitavelmente em lugar-comum. O mundo acaba por aceitar qualquer revelação e resigna-se a qualquer calafrio, contanto que a fórmula tenha sido encontrada. A ideia da futilidade universal – mais perigosa que todos os flagelos – degradou-se até a evidência: todos a admitem e ninguém se conforma. O… Continue lendo “Imunidade contra a renúncia” – CIORAN