“Paleontologia”, de Cioran: uma meditação ascética sobre a carne e o esqueleto – Rodrigo Menezes

Paléontologie [Paleontologia] é um importante texto no conjunto da obra de Cioran, tanto pelo recorte temático quanto por sua peculiaridade estilística. O ensaio faz parte de Le mauvais démiurge (1969), o sexto livro escrito pelo pensador romeno em língua francesa (ainda inédito em língua portuguesa). Le mauvais démiurge é o quarto livro consecutivo de Cioran… Continue lendo “Paleontologia”, de Cioran: uma meditação ascética sobre a carne e o esqueleto – Rodrigo Menezes

“Pensar contra si próprio” – E.M. Cioran

Um requisitório contra o otimismo new age, a cultura da autoajuda e suas receitas de felicidade, o dogmatismo indulgente e pernicioso ao quais nem os filósofos saberiam escapar: "Pensar contra si próprio" é o texto de abertura de A tentação de existir (1956), o terceiro livro de Cioran em língua francesa após o fiasco de… Continue lendo “Pensar contra si próprio” – E.M. Cioran

Santidade & Ceticismo: Modelos de Antinatureza, Duas Impossibilidades

Ser mais inutilizável que um santo…Silogismos da amargura O cético, para o grande desespero do demônio, é o homem inutilizável por excelência.La Chute dans le temps Uma boa maneira de entender o que muda no modo de pensar de Cioran, na transição entre a juventude nacionalista e a maturidade exilada, entre seus livros romenos e… Continue lendo Santidade & Ceticismo: Modelos de Antinatureza, Duas Impossibilidades

Cioran, les Cahiers et les lectures orientales

[Mars 1967] Selon la doctrine du Bouddha, il existe cinq obstacles au progrès spirituel : la sensualité, la malveillance, l'inertie physique et morale, l'inquiétude et le doute. Tous ces obstacles, je les connais bien; j'arriverais à surmonter les quatre premiers, qu'il me serait impossible d'avoir raison du dernier, le doute chez moi étant le mal… Continue lendo Cioran, les Cahiers et les lectures orientales

“Hollywood” (Nick Cave & The Bad Seeds)

At around 8’ 30’’ into the song ‘Hollywood’ the narrator stands on the beach, looking out to sea. Malibu is on fire and the animals have been driven down from the hills to the shore. A sea serpent rises out of the ocean. A small boy drops his bucket and spade and climbs into the sun. Jon, this… Continue lendo “Hollywood” (Nick Cave & The Bad Seeds)

Renúncia: covardia ou heroísmo moderno? (Emil Cioran)

Quando Buda fala de renúncia, é como se nós falássemos do amor. Renunciar com a naturalidade de uma flor que se fecha ao entardecer: esse é o segredo de uma renúncia que não poderemos realizar nunca, porque colocamos demasiada paixão nas negações. Não se tornam positivas todas as negações durante nossos momentos de tensão? Ao… Continue lendo Renúncia: covardia ou heroísmo moderno? (Emil Cioran)

Cioran e a Ética do Sacríficio

Rebentar com todo o ardor apaixonado de nossa alma, vencer toda a resistência e destruir todos os obstáculos que existem no caminho de nossa grande loucura. Estar orgulhosos de nossa absurda e infinita coragem e partir em meio a essa embriaguez de orgulho e de êxtase para os últimos cumes do ser, impulsionados pela sede… Continue lendo Cioran e a Ética do Sacríficio

“Nem Buda nem Satanás: Schopenhauer” (Guido Ceronetti)

O belo livrinho dos Colóquios de Schopenhauer, que a Rizzoli publicou nos seus breviários do “Ramo d’oro” com a curadoria apaixonada de Anacleto Verrecchia, tem-me sido recentemente uma ótima companhia de viagem; e com Arthur Schopenhauer, filósofo que muito me ajudou, junto a Montaigne e Espinoza, a formar juízos livres, a viver e a não… Continue lendo “Nem Buda nem Satanás: Schopenhauer” (Guido Ceronetti)

“O traidor modelo” (E.M. Cioran)

Já que a vida só pode realizar-se na individuação – fundamento último da solidão –, cada ser está necessariamente só pelo fato de que é indivíduo. No entanto, todos os indivíduos não estão sós da mesma maneira nem com a mesma intensidade: cada um se coloca em um grau diferente na hierarquia da solidão; no… Continue lendo “O traidor modelo” (E.M. Cioran)

“São Paulo” (E.M. Cioran)

Nunca o acusaremos o bastante por ter feito do cristianismo uma religião deselegante, por nele ter introduzido as tradições mais detestáveis do Antigo Testamento: a intolerância, a brutalidade, o provincianismo. Com que indiscrição interfere em coisas que não lhe dizem respeito, de que nada entende! As suas considerações sobre a virgindade, a abstinência e o… Continue lendo “São Paulo” (E.M. Cioran)