“O homem: as viagens” – DRUMMOND

O homem, bicho da terra tão pequenoChateia-se na terraLugar de muita miséria e pouca diversão,Faz um foguete, uma cápsula, um móduloToca para a luaDesce cauteloso na luaPisa na luaPlanta bandeirola na luaExperimenta a luaColoniza a luaCiviliza a luaHumaniza a lua. Lua humanizada: tão igual à terra.O homem chateia-se na lua.Vamos para marte - ordena a… Continue lendo “O homem: as viagens” – DRUMMOND

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“Biblioteca Nacional homenageia Daniel Silveira e outros misólogos bolsonaristas” | Portal E. M. Cioran News

Misologia (subst. fem.): ódio ao pensamento, ao saber; aversão e inaptidão à atividade racional, lógico-argumentativa, dialética. O termo remonta ao Fédon, diálogo de Platão que tematiza as últimas horas de Sócrates, antes de sua execução. A Biblioteca Nacional homenagear Daniel Silveira e outros bolsonaristas é como a Igreja Católica homenagear ateus — se não o… Continue lendo “Biblioteca Nacional homenageia Daniel Silveira e outros misólogos bolsonaristas” | Portal E. M. Cioran News

“A Flor e a Náusea” – DRUMMOND

Preso à minha classe e a algumas roupas,vou de branco pela rua cinzenta.Melancolias, mercadorias espreitam-me.Devo seguir até o enjoo?Posso, sem armas, revoltar-me? Olhos sujos no relógio da torre:Não, o tempo não chegou de completa justiça.O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.O tempo pobre, o poeta pobrefundem-se no mesmo impasse. Em vão… Continue lendo “A Flor e a Náusea” – DRUMMOND

“Nosso Tempo” – DRUMMOND

A Osvaldo Alves I Esse é tempo de partido,tempo de homens partidos. Em vão percorremos volumes,viajamos e nos colorimos.A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.As leis não bastam. Os lírios não nascemda lei. Meu nome é tumulto, e escreve-sena pedra. Visito os fatos, não te encontro.Onde te ocultas, precária… Continue lendo “Nosso Tempo” – DRUMMOND

“As Sem-Razões Do Amor” – DRUMMOND

Escritor brasileiro, Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira, Minas Gerais, em 1902. Estudou em Belo Horizonte e diplomou-se em Farmácia, carreira que não exerceu, e fez a sua vida no Rio de Janeiro, entregando-se às letras. Aderiu ao Modernismo, no qual se distinguiu. Como poeta, estreia-se em 1930 com "Alguma Poesia", obra à qual… Continue lendo “As Sem-Razões Do Amor” – DRUMMOND

“Eterno” – DRUMMOND

E como ficou chato ser moderno.Agora serei eterno. Eterno! Eterno!O Padre Eterno,a vida eterna,o fogo eterno. (Le silence éternel de ces espaces infinis m'effraie.)— O que é eterno, Yayá Lindinha?— Ingrato! é o amor que te tenho.Eternalidade eternite eternaltivamenteeternuávamoseternissíssimoA cada instante se criam novas categorias do eterno. Eterna é a flor que se fanase soube floriré o… Continue lendo “Eterno” – DRUMMOND

“A dor e o existir: Fernando Pessoa” – Neyza PROCHET

Cadernos de psicanálise, vol. 34, no. 27, Rio de Janeiro, dez. 2012 Para o homem, a arte é o recurso que possibilita dar forma, tempo e lugar àquilo que, de outro modo, lhe seria inacessível. É a capacidade criativa que conecta o indivíduo a seu núcleo central, à fonte de onde se originou, um dia,… Continue lendo “A dor e o existir: Fernando Pessoa” – Neyza PROCHET

“Os ombros suportam o mundo” – DRUMMOND

https://www.youtube.com/watch?v=ZEqB90bl_zY CHEGA UM TEMPO em que não se diz mais: meu Deus.Tempo de absoluta depuração.Tempo em que não se diz mais: meu amor.Porque o amor resultou inútil.E os olhos não mais choram.E as mãos tecem apenas o rude trabalho.E o coração está seco. Em vão as mulheres batem à porta, não abrirás.Ficaste sòzinho, a luz… Continue lendo “Os ombros suportam o mundo” – DRUMMOND

“Convite Triste” – DRUMMOND

Meu amigo, vamos sofrer,vamos beber, vamos ler jornal,vamos dizer que a vida é ruim,meu amigo, vamos sofrer. Vamos fazer um poemaou qualquer outra besteira.Fitar por exemplo uma estrelapor muito tempo, muito tempoe dar um suspiro fundoou qualquer outra besteira. Vamos beber uísque, vamosbeber cerveja preta e barata,beber, gritar e morrer,ou, quem sabe? beber apenas. Vamos… Continue lendo “Convite Triste” – DRUMMOND