“Exegese da decadência” – CIORAN

O aforismo "Exegese da decadência" retoma -- sob uma outra luz, pelo filtro de um novo idioma e da forma mentis peculiar que ele modela -- a temática e a problemática de um importante texto periodístico de juventude do autor romeno do Breviário de decomposição: trata-se de Nihilism şi natura [Niilismo e natureza], publicado originalmente na revista… Continue lendo “Exegese da decadência” – CIORAN

“La perduta gente” – CIORAN

QUE IDEIA RIDÍCULA construir círculos no inferno, variar por compartimentos a intensidade das chamas e hierarquizar os tormentos! O importante é estar ali: o resto – simples floreios ou... queimaduras. Na cidade de cima – prefiguração mais doce da de baixo, ambas originárias do mesmo modelo –, o essencial, igualmente, não é ser algo concreto… Continue lendo “La perduta gente” – CIORAN

“O conflito entre-mundos e o desconsolo a serviço das aparências” (Emil Cioran)

Vou passar a vida fugindo para o mundo no qual os homens tenham a ilusão de que são, para que o outro mundo me abrace mais forte, mais e mais. Os conflitos entre os dois mundos ou entre os inumeráveis que se interpõem têm um sabor celeste e o sentido trágico da terra. O sorriso… Continue lendo “O conflito entre-mundos e o desconsolo a serviço das aparências” (Emil Cioran)

Do inconveniente de ter nascido, o tédio da decomposição e a necessidade última de ilusão (Emil Cioran)

"Três horas da manhã. Apercebo-me deste segundo, e do que se lhe segue, faço o balanço de cada minuto. Por quê tudo isto? -- Porque eu nasci. Questionarmos o nascimento resulta de um tipo especial de vigília. (Do inconveniente de ter nascido) § Não está em nosso poder fazer voltar os arrebatamentos que nos faziam… Continue lendo Do inconveniente de ter nascido, o tédio da decomposição e a necessidade última de ilusão (Emil Cioran)

Elogio do Imperfeito e as insuficiências da Perfeição (Emil Cioran)

Só se pode amar a imperfeição. Tudo o que participa da perfeição ou nos a inspira, paralisa nosso afeto. Os homens aspiram sem dúvida a uma força infinita, mas de modo nenhum à perfeição. Só na imperfeição existem o ódio, o sofrimento ou o amor, e só graças à imperfeição existe o indivíduo. Os homens… Continue lendo Elogio do Imperfeito e as insuficiências da Perfeição (Emil Cioran)

Renúncia: covardia ou heroísmo moderno? (Emil Cioran)

Quando Buda fala de renúncia, é como se nós falássemos do amor. Renunciar com a naturalidade de uma flor que se fecha ao entardecer: esse é o segredo de uma renúncia que não poderemos realizar nunca, porque colocamos demasiada paixão nas negações. Não se tornam positivas todas as negações durante nossos momentos de tensão? Ao… Continue lendo Renúncia: covardia ou heroísmo moderno? (Emil Cioran)

Ceticismo, fragmento e lucidez: “Emil Cioran. A Filosofia como Desfascinação e a Escritura como Terapia”, de Vincenzo Fiore [pt. 4] (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

A ideia do suicídio e a escritura filosófica como auto-análise Perguntam-me: “Você está trabalhando? – Sim, num artigo sobre o suicídio.” – Minha resposta tira das pessoas a vontade de saber mais.[1] Trata-se, por fim, do último desafio da lucidez: a permanência e a perseverança na vida quando esta é entendida como um “estado de… Continue lendo Ceticismo, fragmento e lucidez: “Emil Cioran. A Filosofia como Desfascinação e a Escritura como Terapia”, de Vincenzo Fiore [pt. 4] (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Sobre duplos, (des)ilusões e a “idiotia do real”: Clément Rosset

Nada mais frágil do que a faculdade humana de admitir a realidade, de aceitar sem reservas a imperiosa prerrogativa do real. Esta faculdade falha tão frequentemente que parece razoável imaginar que ela não implica o reconhecimento de um direito imprescritível -- o do real a ser percebido --, mas representa antes uma espécie de tolerância,… Continue lendo Sobre duplos, (des)ilusões e a “idiotia do real”: Clément Rosset

“Para que serve a filosofia?” – DELEUZE

Quando alguém pergunta para que serve a filosofia, a resposta deve ser agressiva, visto que a pergunta pretende-se irônica e mordaz. A filosofia não serve nem ao Estado, nem à Igreja, que têm outras preocupações. Não serve a nenhum poder estabelecido. A filosofia serve para entristecer. Uma filosofia que não entristece a ninguém e não… Continue lendo “Para que serve a filosofia?” – DELEUZE

“Para os mais sós” – CIORAN

PARA OS MAIS SÓS. Me dirijo a vós, a todos os que conheceis até onde pode chegar a solidão do homem, até onde a tristeza de ser pode obscurecer a vida e o tremor do ser sacudir este mundo. E o faço mais para unir nossas solidões do que para saber o que eu também estou… Continue lendo “Para os mais sós” – CIORAN