“E o povo?” – CIORAN

“E o povo?”, perguntarão. O pensador ou o historiador que emprega esta palavra sem ironia se desacredita. O “povo”, sabe-se muito bem a que está destinado: a sofrer os acontecimentos e as fantasias dos governantes, prestando-se a desígnios que o enfraquecem e o oprimem. Toda experiência política, por mais “avançada” que seja, desenrola-se à sua… Continue lendo “E o povo?” – CIORAN

Cioran e as “nuanças do pior” entre o inferno e um “paraíso desolador” (carta a um amigo longínquo)

A diferença entre os regimes é menos importante do que parece; vocês estão sós forçados, nós o estamos sem nenhuma pressão. É tão grande a distância entre o inferno e um paraíso desolador? Todas as sociedades são más; mas há graus, reconheço, e se escolho esta, é porque sei distinguir entre as nuanças do pior.Cioran,… Continue lendo Cioran e as “nuanças do pior” entre o inferno e um “paraíso desolador” (carta a um amigo longínquo)

Emil Cioran y María Zambrano: memória de um encontro

Cena do documentário "María Zambrano: la humanista indignada" (1991), transmitido pela emissora espanhola TVE em 2004, por ocasião do centenário de nascimento desta importante filósofa espanhola (1904-1991), discípula de Ortega y Gasset, de quem Cioran quis ser aluno, mas teve seus planos frustrados pela eclosão da Guerra Civil espanhola, a mesma que faria Zambrano exilar-se… Continue lendo Emil Cioran y María Zambrano: memória de um encontro

“A Rússia e o vírus da liberdade” – CIORAN

Que a Rússia seja capaz de realizar o seu sonho de um império universal, é uma eventualidade, mas não uma certeza; em compensação, é óbvio que pode conquistar e anexar toda a Europa, e mesmo que o fará, nem que seja para tranquilizar o resto do mundo… Ela se satisfaz com tão pouco! Onde encontrar… Continue lendo “A Rússia e o vírus da liberdade” – CIORAN

“Do ennui ao êxtase: Cioran e o sentimento religioso da existência” – Rodrigo MENEZES

Quanto mais perco minha fé no mundo, mais estou em Deus, sem crer nele. – Será uma doença misteriosa, ou uma nobreza do espírito e do coração, que te faz ser ao mesmo tempo cético e místico?CIORAN, Amurgul gândurilor [O Crepúsculo dos Pensamentos] (1940) A acusação de “irracionalismo” oculta, muitas vezes, a defesa de um… Continue lendo “Do ennui ao êxtase: Cioran e o sentimento religioso da existência” – Rodrigo MENEZES

“Mas, Cioran, atman ou anatman? Eis a questão” – Rodrigo MENEZES

“Na história há dois fenômenos que representam para mim o ponto mais elevado: a metafísica indiana e a música alemã. […] Se houvesse um processo, no qual o homem fosse acusado, poderia se defender com esses dois fenômenos. Pessoalmente, através da metafísica indiana consegui penetrar mais profundamente nos problemas filosóficos, e, com a música alemã,… Continue lendo “Mas, Cioran, atman ou anatman? Eis a questão” – Rodrigo MENEZES

Purismo, Impurismo e a Antropologia Trágica no Livro das Ilusões – CIORAN

I will join with black despair against my soul, and to myself become an enemy.SHAKESPEARE, Richard III (epígrafe do Breviário de decomposição) O espírito não tem defesa contra os miasmas que o assaltam, pois surgem do lugar mais corrompido que existe entre a terra e o céu, do lugar onde a loucura jaz na ternura,… Continue lendo Purismo, Impurismo e a Antropologia Trágica no Livro das Ilusões – CIORAN

E.M. Cioran, Jonathan Swift e o “grotesco cor-de-rosa”: entrevista com Paolo Vanini 🇮🇹

Paolo Vanini é professor adjunto de história da filosofia na Universidade de Trento, onde também integra um projeto de pesquisa dedicado a Cioran. Atualmente se ocupa da relação entre utopia, ceticismo e humorismo entre o Renascimento e o século XX. Tem publicado artigos sobre autores como Thomas Morus, Erasmo de Rotterdam, Jonathan Swift, Pirandello e… Continue lendo E.M. Cioran, Jonathan Swift e o “grotesco cor-de-rosa”: entrevista com Paolo Vanini 🇮🇹

“Não se pode rezar sem fazer a vontade do diabo” – CIORAN

Um rancor bem firme, bem vigilante, pode constituir, sozinho, o sustentáculo de um indivíduo: a debilidade de caráter procede, na maioria das vezes, de uma memória enfraquecida. Não esquecer a injúria é um dos segredos do êxito, uma arte que possuem sem exceção os homens de convicções fortes, pois toda convicção é feita principalmente de… Continue lendo “Não se pode rezar sem fazer a vontade do diabo” – CIORAN

“Cosmogonia de Delirium Tremens” e a Patogênese do Humano: Duas Alegorias Gnósticas

Dir-se-ia que cabe aos doentes revelar-nos a irrealidade dos sentimentos puros, que essa é sua missão e o sentido de suas provações. Nada mais natural, pois neles se concentram e se exacerbam as taras de nossa raça. Depois de haver peregrinado através das espécies, e lutado com maior ou menor êxito para nelas imprimir sua… Continue lendo “Cosmogonia de Delirium Tremens” e a Patogênese do Humano: Duas Alegorias Gnósticas