M̼sica & Ceticismo РE.M. Cioran

Busquei a Dúvida em todas as artes e só a encontrei camuflada, furtiva, dissipada nos entreatos da inspiração, surgida do relaxamento do impulso; mas renunciei a buscá-la – mesmo sob essa forma – em música; aí não poderia florescer: ignorando a ironia, a música procede não das malícias do intelecto, mas dos matizes ternos ou… Continue lendo Música & Ceticismo – E.M. Cioran

A centralidade do Coração no processo de cognição e na constituição da subjetividade, segundo Cioran

"Que haja ou não uma solução para os problemas, isso só preocupa uma minoria; que os sentimentos não tenham nenhuma saída, que não venham dar em nada, que se percam neles mesmos, eis o drama inconsciente de todos, o insolúvel afetivo que cada um sofre sem pensar nele."CIORAN, Silogismos da amargura (1952) "Olhando as coisas… Continue lendo A centralidade do Coração no processo de cognição e na constituição da subjetividade, segundo Cioran

“A vida como in-eternidade, ou as revelações da dilaceração” (Emil Cioran)

Retumbam em ti as épocas geológicas? Se não, por que então falas do tempo? Foste o mar onde se derramaram os rios do tempo? Se não, por que se orgulhar da História? Reuniste todas as lágrimas que não secaram e as derramaste de novo para devolvê-las à terra e consolar os olhos e o coração?… Continue lendo “A vida como in-eternidade, ou as revelações da dilaceração” (Emil Cioran)

“Certas manhãs” (E.M. Cioran)

PESAR POR NÃO SER ATLAS, por não poder sacudir os ombros para assistir ao desmoronamento desta risível matéria... a raiva segue o caminho inverso da cosmogonia. Por que mistério despertamos certas manhãs com a sede de demolir o conjunto inerte e vivo? Quando o diabo penetra em nossas veias, quando nossas ideias sofrem convulsões, e… Continue lendo “Certas manhãs” (E.M. Cioran)

Ivan Karamázov e os escrúpulos do niilista

Pois bem, vive o general em sua fazenda de duas mil almas (Assim eram chamados os servos camponeses. (N. do T.)), cheio de arrogância, tratando por cima dos ombros seus vizinhos, pequenos proprietários, como seus parasitas e palhaços. Tem um canil com centenas de cães e quase uma centena de seus cuidadores todos uniformizados, todos… Continue lendo Ivan Karamázov e os escrúpulos do niilista

A grande tentação (Emil Cioran)

A perda da consciência de ser criatura: odiamos tudo o que é ser; deixamos de ser solidários com todas as criaturas junto às quais uma vez ornamentamos o paraíso. Quando odiamos os animais, odiamos a base de nossa vida. Queremos escapar totalmente da ordem das criaturas. Por que então, quando nos abandona a sensação de… Continue lendo A grande tentação (Emil Cioran)

“Um novo ascetismo” (Emil Cioran)

Não tem que nos doer a transitoriedade das coisas terrestres ou a inexistência das celestes. Que tudo esteja destinado a perecer, que tudo seja vão e fugaz, que tudo careça absolutamente de valor e consistência, isso só pode provocar desgosto... Mas não pode provocá-lo quando se pensa como em uma existência tão reduzida no tempo… Continue lendo “Um novo ascetismo” (Emil Cioran)

“Morrer de entusiasmo” (Emil Cioran)

QUE NOSSA ALMA MORRA DE ENTUSIASMO; que todos morramos de entusiasmo. Que o ímpeto de viver seja irresistível e que o inflame o desespero. Que nossa missão se acabe em uma última palpitação, na grande palpitação de nosso entusiasmo. Se não morremos de entusiasmo, nenhum de nós terá vivido. Que esse entusiasmo se transforme em… Continue lendo “Morrer de entusiasmo” (Emil Cioran)