“A atração pelo vazio” – ClĂ©ment ROSSET

Cioran escreve isto, em Aveux et AnathĂšmes: “Mal perdemos um defeito e outro apressa-se em substituĂ­-lo. Nosso equilĂ­brio existe a esse preço.” Quanto a mim, acrescentaria que seria preciso dizer o mesmo de toda tolice, de toda loucura, de toda paixĂŁo: nenhuma desaparece sem abrir caminho a outra que logo se apodera do lugar deixado… Continue lendo “A atração pelo vazio” – ClĂ©ment ROSSET

“A inobservĂąncia do real” – ClĂ©ment ROSSET

Numa cena de um filme de Buster Keaton, As trĂȘs idades, vĂȘ-se um personagem singular, meio astrĂłlogo meio meteorologista, mergulhado em cĂĄlculos complicados destinados a determinar o tempo que faz do lado de fora. Havendo-se decidido por um “bom fixo”, grava a informação numa tabuleta — presume-se que a cena tem por cenĂĄrio a Roma… Continue lendo “A inobservĂąncia do real” – ClĂ©ment ROSSET

O PrincĂ­pio de Crueldade (post-scriptum) – ClĂ©ment ROSSET

A crueldade da realidade Ă© ilustrada de maneira particularmente espetacular e significativa na crueldade do amor — tema conhecido e jĂĄ sobejamente analisado, Ă© verdade, mas Ă© o privilĂ©gio das questĂ”es profundas permitir sempre uma anĂĄlise parcialmente renovada, como Ă© o privilĂ©gio de toda grande obra de arte, musical por exemplo, oferecer sempre matĂ©ria para… Continue lendo O PrincĂ­pio de Crueldade (post-scriptum) – ClĂ©ment ROSSET

“O princĂ­pio de incerteza” – ClĂ©ment ROSSET

“A necessidade de uma fĂ© forte nĂŁo Ă© prova de fĂ© forte, Ă©, isso sim, o contrĂĄrio. Se alguĂ©m tem essa fĂ©, pode permitir-se o luxo do ceticismo.”Nietzsche, O CrepĂșsculo dos Ă­dolos Montaigne sugere, em uma passagem da Apologia de Raimond Sebond, uma definição da verdade filosĂłfica tĂŁo desconcertante quanto pertinente: “Duvido que Epicuro, PlatĂŁo… Continue lendo “O princĂ­pio de incerteza” – ClĂ©ment ROSSET

“O princĂ­pio de realidade suficiente” (ClĂ©ment Rosset)

Toda filosofia Ă© uma teoria do real, isto Ă©, conforme a etimologia grega da palavra teoria, o resultado de um olhar sobre as coisas: olhar ao mesmo tempo criativo e interpretativo que pretende, Ă  sua maneira e segundo seus meios prĂłprios, dar conta de um objeto ou de um conjunto de objetos dados. Este compte-rendu… Continue lendo “O princĂ­pio de realidade suficiente” (ClĂ©ment Rosset)

“O PrincĂ­pio de Crueldade” – ClĂ©ment ROSSET

IntĂ©rprete do pensamento trĂĄgico, ClĂ©ment Rosset defende a idĂ©ia de que toda realidade Ă© cruel. Essa â€œĂ©tica da crueldade” se baseia em dois princĂ­pios que sĂŁo o objeto principal deste livro. O primeiro, o princĂ­pio de realidade suficiente: o real basta e dele nada escapa, posto que Ă© real. Cabe aos homens se contentar e… Continue lendo “O PrincĂ­pio de Crueldade” – ClĂ©ment ROSSET

“Um pessimismo (mui) pouco trĂĄgico: Cioran lido por ClĂ©ment Rosset” – Rodrigo InĂĄcio R. SĂĄ Menezes

Trata-se de contrapor e fazer dialogar duas filosofias, dois modo de pensar (o homem, a existĂȘncia, a vida e a morte, o tempo) que tĂȘm muito em comum, mas cujas conclusĂ”es podem ser radicalmente divergentes: a filosofia trĂĄgica, afirmativa e aprobatĂłria de ClĂ©ment Rosset (tendo como corolĂĄrio a alegria como "force majeure"), na linha de… Continue lendo “Um pessimismo (mui) pouco trĂĄgico: Cioran lido por ClĂ©ment Rosset” – Rodrigo InĂĄcio R. SĂĄ Menezes

“O Homem-Massa e o Homem-Fragmento. Cioran em diĂĄlogo com Ortega y Gasset” – Rodrigo Menezes

O experimento homem fracassou. Encontra-se em um beco sem saĂ­da, enquanto que um nĂŁo‑homem Ă© mais: uma possibilidade.Olha fixamente nos olhos de um «semelhante»: que te leva a crer que nĂŁo podes esperar mais nada? Todo homem Ă© muito pouco
CIORAN, Amurgul gĂąndurilor O seu lote foi o de realizar-se pela metade. Tudo nele era truncado; seu jeito de… Continue lendo “O Homem-Massa e o Homem-Fragmento. Cioran em diĂĄlogo com Ortega y Gasset” – Rodrigo Menezes

“O princĂ­pio de crueldade”(ClĂ©ment Rosset)

"Hipocondria melancĂłlica", observa GĂ©rard de Nerval em um diĂĄrio. "É um mal terrĂ­vel: faz ver as coisas tais como sĂŁo." Por "crueldade" do real entendo em primeiro lugar, Ă© claro, a natureza intrinsecamente dolorosa e trĂĄgica da realidade. NĂŁo me estenderei sobre este primeiro sentido, mais ou menos conhecido de todos, e sobre o qual… Continue lendo “O princĂ­pio de crueldade”(ClĂ©ment Rosset)

Morre Clément Rosset, filósofo da Alegria Trågica, amigo de Cioran -Nicolas TRUONG

LE MONDE, 29 de março de 2018 Rosset articulava sua filosofia em torno de duas ideias: a do trĂĄgico e a do duplo. Ele morreu em 28 de março, aos 78 anos. O filĂłsofo ClĂ©ment Rosset faleceu em Paris, em 28 de março. Nascido em 12 de outubro de 1939, em Carteret (Manche), autor de… Continue lendo Morre ClĂ©ment Rosset, filĂłsofo da Alegria TrĂĄgica, amigo de Cioran -Nicolas TRUONG