“Os deicídios” – CAMUS

A justiça, a razão, a verdade brilhavam ainda no céu jacobino; essas estrelas fixas podiam ao menos servir de pontos de referência. Os pensadores alemães do século XIX, particularmente Hegel, quiseram continuar a obra da revolução francesa,1 ao suprimirem as causas de seu malogro. Hegel acreditou discernir que o Terror estava de antemão contido na… Continue lendo “Os deicídios” – CAMUS

“Google, Big Data e o fim do livre arbítrio” – Yuval Noah HARARI

Financial Times, 26 de agosto de 2016 Esqueça esse papo de ouvir a si mesmo. Na era da informação, os algoritmos têm a resposta, escreve o historiador Yuval Noah Harari Durante milhares de anos os seres humanos acreditaram que a autoridade vinha dos deuses. Depois, na era moderna, o humanismo gradualmente transferiu a autoridade das… Continue lendo “Google, Big Data e o fim do livre arbítrio” – Yuval Noah HARARI

Evil in Modern Thought: An Alternative History of Philosophy (Susan Neiman)

The eighteenth century used the word Lisbon much as we use the word Auschwitz today. How much weight can a brute reference carry? It takes no more than the name of a place to mean: the collapse of the most basic trust in the world, the grounds that make civilization possible. Learning this, modern readers… Continue lendo Evil in Modern Thought: An Alternative History of Philosophy (Susan Neiman)

“Ictiofídeos e liberais” – John GRAY

Em Da outra margem, coleção de ensaios e diálogos escrita por Alexander Herzen entre 1847 e 1851, o jornalista radical russo imagina um diálogo entre alguém que acredita na liberdade humana e um cético que julga os seres humanos por seu comportamento, e não pelos ideais professados. Para surpresa daquele que acredita, o cético cita… Continue lendo “Ictiofídeos e liberais” – John GRAY

O conflito como princípio de fecundidade espiritual – CIORAN

UM ESPÍRITO só nos cativa por suas incompatibilidades, pela tensão de seus movimentos, pelo divórcio de suas opiniões e suas tendências. Marco Aurélio, engajado em expedições longínquas, inclinava-se mais sobre a ideia da morte que sobre a do Império; Juliano, ao tornar-se imperador, sente saudades da vida contemplativa, inveja os sábios e perde suas noites… Continue lendo O conflito como princípio de fecundidade espiritual – CIORAN

“Lógica do Pior”, prefácio à edição brasileira (Clément Rosset)

Aqueles de meus amigos que tiveram a ocasião de estadiar no Brasil retornaram todos com o mesmo sentimento dominante: de uma excepcional animação e alegria de viver, junto a um sentido agudo do desastre e da catástrofe iminente. Eu experimentei pessoalmente esse mesmo sentimento assistindo ao belíssimo filme de Marcel Camus consagrado ao Brasil e… Continue lendo “Lógica do Pior”, prefácio à edição brasileira (Clément Rosset)

“Democracy is for the gods” (Costica Bradatan)

The New York Times, July 5 2019 It should be no surprise that humans cannot sustain it. “Why do democracies fail?” We’ve heard that question a lot in the past few years, in books, on opinion pages and cable news shows, and in an increasingly anxious public debate. But I almost always find myself answering… Continue lendo “Democracy is for the gods” (Costica Bradatan)

“Fogo do céu” (Susan Neiman)

A filosofia não faz nenhum segredo disso. A confissão de Prometeu, “Em uma palavra, odeio todos os deuses”, é sua própria confissão, sua própria frase contra todos os deuses celestes e terrenos que se recusam a reconhecer a autoconsciência humana como a suprema divindade — ao lado da qual nenhuma outra deveria existir. — Marx,… Continue lendo “Fogo do céu” (Susan Neiman)

“A fanatic without conviction” – Charles NEWMAN

"And there, sir, lies the entire problem, to have within oneself the inseparable reality and the material clarity of feeling, to have it in such a degree that the feeling cannot but express itself, to have a wealth of words and of formal constructions which can join in the dance, serve one's purpose-and at the… Continue lendo “A fanatic without conviction” – Charles NEWMAN

“Emoção e criação” – Henri BERGSON

É POR EXCESSO de intelectualismo que se suspende o sentimento por um objeto e que se conserva toda emoção para a repercussão, na sensibilidade, de uma representação intelectual. Voltando ao exemplo da música, é sabido que ela suscita em nós determinadas emoções: alegria, tristeza, piedade, simpatia, e que essas emoções podem ser intensas, e que… Continue lendo “Emoção e criação” – Henri BERGSON