“A influência do Budismo na obra de Emil Cioran” – Arthur KAUFFMAN

Dissertação apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Mestre em Filosofia, realizada sob a orientação científica de António Jorge de Castro Caeiro, Universidade Nova de Lisboa, 2021. RESUMO: O presente trabalho propõe uma leitura da obra do filósofo romeno Emil Cioran (1911-1995), identificando nela uma clara influência budista quanto às suas… Continue lendo “A influência do Budismo na obra de Emil Cioran” – Arthur KAUFFMAN

Cioran: conhecimento e sofrimento, titanismo e expiação (4 contextos)

Nada do que sabemos está livre de expiação. Pagamos caro, cedo ou tarde, por cada paradoxo, coragem de pensamento ou indiscrição do espírito. No castigo que sucede a qualquer progresso do conhecimento há um estranho feitiço. Arrancaste o véu que encobre a inconsciência da natureza? Pagarás com uma tristeza cuja origem não podes suspeitar. Te… Continue lendo Cioran: conhecimento e sofrimento, titanismo e expiação (4 contextos)

“A preocupação com a decência” – CIORAN

Sob o aguilhão da dor, a carne desperta; matéria lúcida e lírica, canta sua dissolução. Enquanto era indiscernível da natureza, repousava no esquecimento dos elementos: o eu ainda não havia se apoderado dela. A matéria que sofre emancipa-se da gravitação, não é mais solidária do resto do universo, isola-se do conjunto adormecido; pois a dor,… Continue lendo “A preocupação com a decência” – CIORAN

“Schopenhauer, Horkheimer e o sofrimento social” – Vilmar DEBONA

https://www.youtube.com/watch?v=vXfUPZ5mC_M Há atualmente um debate interdisciplinar profícuo sobre a noção de sofrimento social. Pensadores e pensadoras como Barrington Moore, Emmanuel Renault e Rahel Jaeggi partem direta ou indiretamente do seguinte pressuposto: sofrimento social difere-se de sofrimento individual na medida em que suas causas não são naturais (velhice, doença, catástrofes naturais), mas resultam do agir humano;… Continue lendo “Schopenhauer, Horkheimer e o sofrimento social” – Vilmar DEBONA

Sofrimento e transfiguração (Emil Cioran)

SÓ O SOFRIMENTO muda o homem. Todas as outras experiências e fenômenos não conseguem modificar essencialmente o temperamento de ninguém nem aprofundar certas disposições suas a ponto de transformá-las completamente. De quantas mulheres equilibradas não fez o sofrimento umas santas? Absolutamente todas as santas sofreram muito mais do que se pode imaginar. Sua transfiguração não… Continue lendo Sofrimento e transfiguração (Emil Cioran)

Pensar-ser-o-que-se-é-pensa (Emil Cioran)

Nevoia de a dovedi o afirmaţie, de-a vîna argumente în dreapta şi-n stînga presupune o anemie a spiritului, o nesiguranţă a inteligenţei şi a persoanei în genere. Cînd un gînd te năpădeşte cu putere şi violenţă, el izvorăşte din substanţa existenţei tale; a-l dovedi, a-l împresura în argumente înseamnă a-l slăbi şi a te îndoi… Continue lendo Pensar-ser-o-que-se-é-pensa (Emil Cioran)

“Beatitude e sofrimento” – Clément ROSSET

Tomo emprestado ao comunicado de Henri Birault, no colóquio Royaumont sobre Nietzsche, em 1964, o termo “beatitude”, para definir o tema central da filosofia nietzschiana. Provavelmente, do mesmo modo, outros termos conviriam: alegria de viver, gáudio, júbilo, prazer de existir, adesão à realidade, e ainda muitos outros. Pouco importa a palavra, aqui é a ideia… Continue lendo “Beatitude e sofrimento” – Clément ROSSET

Os escrúpulos do niilista: Ivan Karamazov devolve o bilhete

Pois bem, vive o general em sua fazenda de duas mil almas (Assim eram chamados os servos camponeses), cheio de arrogância, tratando por cima dos ombros seus vizinhos, pequenos proprietários, como seus parasitas e palhaços. Tem um canil com centenas de cães e quase uma centena de seus cuidadores todos uniformizados, todos a cavalo. E… Continue lendo Os escrúpulos do niilista: Ivan Karamazov devolve o bilhete

“A Grande Tentação” – CIORAN

A perda da consciência de ser criatura: odiamos tudo o que é ser; deixamos de ser solidários com todas as criaturas junto às quais uma vez ornamentamos o paraíso. Quando odiamos os animais, odiamos a base de nossa vida. Queremos escapar totalmente da ordem das criaturas. Por que então, quando nos abandona a sensação de… Continue lendo “A Grande Tentação” – CIORAN

Renúncia: covardia ou heroísmo moderno? (Emil Cioran)

Quando Buda fala de renúncia, é como se nós falássemos do amor. Renunciar com a naturalidade de uma flor que se fecha ao entardecer: esse é o segredo de uma renúncia que não poderemos realizar nunca, porque colocamos demasiada paixão nas negações. Não se tornam positivas todas as negações durante nossos momentos de tensão? Ao… Continue lendo Renúncia: covardia ou heroísmo moderno? (Emil Cioran)