“A preocupação com a decência” – CIORAN

Sob o aguilhão da dor, a carne desperta; matéria lúcida e lírica, canta sua dissolução. Enquanto era indiscernível da natureza, repousava no esquecimento dos elementos: o eu ainda não havia se apoderado dela. A matéria que sofre emancipa-se da gravitação, não é mais solidária do resto do universo, isola-se do conjunto adormecido; pois a dor,… Continue lendo “A preocupação com a decência” – CIORAN

“Restauração de um culto” – E.M. Cioran

Como gastei minha qualidade de homem, nada me é mais de nenhum proveito. Só vejo por toda parte carneiros com ideal que se ajuntam para balir suas esperanças… Mesmo os que nunca viveram juntos, são empurrados para o rebanho, como fantasmas, pois com que outro fim concebeu-se a “comunhão” dos santos?… Em busca de um… Continue lendo “Restauração de um culto” – E.M. Cioran

“Insomnio y soledad de E.M. Cioran: una teoría del suicidio” (Alejandro García Abreu)

La Jornada Semanal, 15 noviembre 2019 Se cumplen setenta años del primer libro de E.M. Cioran escrito en francés: 'Breviario de podredumbre'. Una doble renuncia En 1940 ocurrió uno de los acontecimientos más significativos en la vida de E.M. Cioran: comenzó a escribir en francés. Posteriormente ocurrió otro: el 18 de noviembre de 1942 conoció en… Continue lendo “Insomnio y soledad de E.M. Cioran: una teoría del suicidio” (Alejandro García Abreu)

“Exegese da decadência” (E.M. Cioran)

O aforismo "Exegese da decadência" retoma -- sob uma outra luz, pelo filtro de um novo idioma e da forma mentis peculiar que ele modela -- a temática e a problemática de um importante texto periodístico de juventude do autor romeno do Breviário de decomposição: trata-se de Nihilism şi natura [Niilismo e natureza], publicado originalmente na revista… Continue lendo “Exegese da decadência” (E.M. Cioran)

Juramento à Vida (Emil Cioran)

JURAMENTO À VIDA: Nunca te trairei de todo; embora tenha te traído e te trairei a cada passo; Quando te odiei, não pude te esquecer; Te amaldiçoei para suportar-te; Te repudiei para que mudes; Te chamei e não vieste; gritei e não me sorriste; fiquei triste e não me consolaste. Chorei e não aliviaste minhas… Continue lendo Juramento à Vida (Emil Cioran)

“O olhar antes da percepção” (Emil Cioran)

Não haveis surpreendido uma imagem de pureza no olhar sem percepção, no olhar que reflete e refracta, uma imagem purificada de objetos? Não vos haveis fixado nunca no olhar dos patinhos e haveis visto uns olhos onde o céu é céu, a água, água e a folha, folha? E não haveis amado esses olhos que… Continue lendo “O olhar antes da percepção” (Emil Cioran)

Cioran: Solidão, Êxtase, Solidariedade

Um comentário que sempre me chamou a atenção na entrevista de Cioran a Sylvie Jaudeau, e que me parece uma chave de leitura ao essencial do pensamento insone e errático de Cioran, é o seguinte: "A única experiência profunda é a que se realiza na solidão. Aquela que resulta de um contágio permanece superficial --… Continue lendo Cioran: Solidão, Êxtase, Solidariedade

Sobre solidão, filosofias e máscaras (Nietzsche)

Percebe-se sempre nos escritos de um solitário algo como o eco do deserto, como o murmúrio e o olhar tímido da solidão, as suas expressões mais enérgicas, até seu grito, ressaltam também em uma nova espécie nova e mais perigosa de calar, o subentender. Em quem, por anos inteiros, dia e noite, permanece só com… Continue lendo Sobre solidão, filosofias e máscaras (Nietzsche)

“O absurdo e a revolta em Camus” (José João Neves Barbosa Vicente & Frances Deizer Gontijo)

TRÍAS - Revista eletrônica online de Filosofia, História, Literatura e Ciências Sociais, nº 3 (2º semestre de 2011) RESUMO: O presente artigo propõe analisar os conceitos de absurdo e de revolta na obra O homem revoltado (1999) de Albert Camus no intuito de mostrar que, no primeiro conceito existe um “eu” solitário, no segundo, um “eu” solidário. A análise… Continue lendo “O absurdo e a revolta em Camus” (José João Neves Barbosa Vicente & Frances Deizer Gontijo)

“Inconsistência humana” (Emil Cioran)

Experimentei, em grande silêncio e em grande solidão, no meio da natureza, longe da humanidade e perto de mim, uma sensação de interminável tumulto, em que o mundo, como uma torrente irresistível, me atropelou, me atravessou como um fluido transparente e imperceptível. Ao fechar os olhos, o mundo inteiro parece ter-se fundido no meu cérebro,… Continue lendo “Inconsistência humana” (Emil Cioran)