“Nos Funerais do Desejo” – E.M. CIORAN

Uma caverna infinitesimal boceja em cada célula… Sabemos onde se instalam as doenças, seu lugar, a carência definida dos órgãos; mas esse mal sem sede…, essa opressão sob o peso de mil oceanos, esse desejo de um veneno idealmente maléfico… As vulgaridades da primavera, as provocações do sol, do viço, da seiva… Meu sangue se… Continue lendo “Nos Funerais do Desejo” – E.M. CIORAN

T̩dio como vazio de significado pessoal РLars SVENDSEN

Beckett escolheu a distorção, isto é, a arte. A antítese que ele propõe entre isolamento honesto e sociabilidade desonesta e a inevitável falta de comunicação que resulta de ambas pode servir como definição de toda a sua obra. Como ele também diz: "Estamos sós. Não podemos conhecer e não podemos ser conhecidos." Todo gesto extrovertido… Continue lendo Tédio como vazio de significado pessoal – Lars SVENDSEN

“Só através do coração sabemos que algo muda”: entrevista com Simona Constantinovici sobre o Dicţionar de Termeni Cioranieni (2/3)

“Constantin Noica identifica em certas palavras romenas a história de nosso povo mesmo, como por exemplo o fenômeno da transumância. A tentativa de traduzi-las equivaleria a desenraizá-las, aniquilando assim o seu potencial ancestral de motivar a língua, o modo de ser de um povo, seu sentimento profundo. As palavras têm o mesmo destino que os… Continue lendo “Só através do coração sabemos que algo muda”: entrevista com Simona Constantinovici sobre o DicÅ£ionar de Termeni Cioranieni (2/3)

“Por que a Ásia está melhor que a Europa na pandemia? O segredo está no civismo” (Byung-Chul Han)

A segunda onda do coronavírus é mais benigna no continente asiático que no europeu. A explicação, argumenta o filósofo Byung-Chul Han, está na responsabilidade dos cidadãos - EL PAÍS, 30 de outubro 2020 Ao ser perguntado sobre como o Japão conseguiu combater a pandemia com tanto sucesso em comparação com o Ocidente, o ministro japonês da… Continue lendo “Por que a Ásia está melhor que a Europa na pandemia? O segredo está no civismo” (Byung-Chul Han)

Prefácio do livro de Liliana Herrera, “Cioran: lo voluptuoso, lo insoluble”, por Jaime Rubio Angulo

Espacio M. Liliana Herrera A. 🇨🇴

Cioran: lo voluptuoso, lo insoluble é o título – algo enigmático – deste novo trabalho de M. Liliana Herrera sobre o filósofo romeno. Cioran voluptuoso, insolúvel? Sem dúvida; sempre que descobrirmos o sentido destas categorias em desenvolvimento ao longo do texto. Categorias que vêm sublinhar a originalidade e a novidade deste trabalho realizado cara a cara com a exceção – no caso, Cioran. O voluptuoso e o insolúvel determinam o espaço de jogo da presente reflexão.

Este livro se apresenta como uma leitura da obra de Cioran. Leitura criativa que desdobra incessantemente horizontes de sentido. Outra observação para começar: a intepretação que nos oferece é da ordem do fragmento, isto é do intervalo; a interpretação é um jogo que se joga entre o voluptuoso e o insolúvel. Não se trata de um sentido construído tematicamente, mas antes composto musicalmente. Basta ver o título das partes que compõem esta obra.


“Há…

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“O tédio dos conquistadores” (E.M. Cioran)

PARIS PESAVA sobre Napoleão, segundo confissão do próprio, como um “manto de chumbo”: dez milhões de homens pereceram em consequência disso. É o balanço do “mal do século”, quando um René a cavalo torna-se seu agente. Esse mal, nascido na ociosidade dos salões do século XVIII, na languidez de uma aristocracia demasiado lúcida, fez estragos… Continue lendo “O tédio dos conquistadores” (E.M. Cioran)

Pensar-ser-o-que-se-é-pensa #2 (Emil Cioran)

N'a de conviction que celui qui n'a rien approfondi. (De l'inconvenient d'être né) Só possui convicções quem nada aprofundou. (Do inconveniente de ter nascido) Cine a gîndit mult veşnicia, moartea, viaÅ£a, timpul şi suferinÅ£a este imposibil să aibă un sentiment definit, o viziune precisă" şi o convingere determinată despre ele. Nu există un sentiment definit… Continue lendo Pensar-ser-o-que-se-é-pensa #2 (Emil Cioran)

Estar com a verdade… contra ela – CIORAN

Quem refletiu muito sobre a eternidade, a morte, a vida, o tempo e o sofrimento, é impossível que tenha um sentimento definido, uma visão precisa e uma convicção determinada sobre todas essas coisas. Só têm um sentimento definido da morte os que a pensaram e sentiram pela metade; não se pode ter uma visão precisa… Continue lendo Estar com a verdade… contra ela – CIORAN

“Tempo sem experiência” – Olgária MATOS

Uma reflexão sobre o tempo sem experiência da contemporaneidade. Como a atual aceleração da sociedade cria a sensação de que não há tempo para nada. Na realidade, são os próprios mecanismos sociais e econômicos que necessitam dessa situação. As diferenças entre tédio e monotonia podem caracterizar diferentes formas de se relacionar com o tempo. A… Continue lendo “Tempo sem experiência” – Olgária MATOS

“Baudelaire: antíteses e revolução” (Olgária Matos)

Alea, vol.9 no.1 Rio de Janeiro Jan./June 2007 RESUMO: O ensaio procura indicar o método baudelairiano das antíteses de coisas e acontecimentos, de tal forma que o maniqueísmo progressista da dialética hegeliano-marxista é substituído pelo homo duplex pascaliano, e o conceito de ação política e arte engajada é reformulado. Palavras-chave: Baudelaire; Benjamin; poesia; revolução. ABSTRACT: The essay attempts to characterize Baudelaire's method of… Continue lendo “Baudelaire: antíteses e revolução” (Olgária Matos)