“Acedia” – CIORAN

Esta estagnação dos órgãos, este embotamento das faculdades, este sorriso petrificado não te recordam muitas vezes o tédio dos claustros, os corações desertos de Deus, a secura e a idiotia dos monges execrando-se no arrebatamento extático da masturbação? És apenas um monge sem hipóteses divinas e sem o orgulho do vício solitário. A terra, o… Continue lendo “Acedia” – CIORAN

Cioran, um autor para crentes e descrentes, místicos e niilistas, para “os que creem em tudo e os que não creem em nada”: uma antologia

Uma seleção de aforismos e fragmentos que ilustram a dualidade fundamental do pensamento de Cioran, dividido (e indeciso), como um "Hamlet" balcânico, entre o Absoluto e a existência, Deus e o Nada, a necessidade de salvação ou délivrance (libertação) e a "tentação de existir". Numa passagem d'O Livro das ilusões, incluída nesta antologia, o jovem… Continue lendo Cioran, um autor para crentes e descrentes, místicos e niilistas, para “os que creem em tudo e os que não creem em nada”: uma antologia

“Histeria da Eternidade” – CIORAN

Concebo que se possa ter gosto pela cruz, mas reproduzir todos os dias o acontecimento batido do Calvário tem algo de maravilhoso, de insensato e de estúpido. Pois, afinal de contas, se se abusa dos prestígios do Salvador, Ele se torna tão fastidioso como qualquer outro. Os santos foram grandes perversos; como as santas, magníficas… Continue lendo “Histeria da Eternidade” – CIORAN

“Breviário de Decomposição (1949): livro perigoso e essencial” – Rodrigo MENEZES

Ter um Cioran em casa é a antítese de ter uma arma de fogo. No caso de possuir as duas coisas juntas, se o leitor pegasse o livro em vez do revólver, perderia toda motivação de usar o revólver, contra si mesmo ou contra outrem: é um dispositivo de segurança contra tragédias (que se aproveitam… Continue lendo “Breviário de Decomposição (1949): livro perigoso e essencial” – Rodrigo MENEZES

“A soberba inutilidade” – CIORAN

Fora dos céticos gregos e dos imperadores romanos da decadência, todos os espíritos parecem submetidos a uma vocação municipal. Só aqueles se emanciparam – uns pela dúvida, os outros pela demência – da obsessão insípida de ser úteis. Tendo promovido o arbitrário à categoria de exercício ou de vertigem, conforme fossem filósofos ou descendentes corrompidos… Continue lendo “A soberba inutilidade” – CIORAN

Leitura comparada: “O caso Sartre”, “Sobre um empresário de ideias” – CIORAN

Como o próprio título indica, "Le cas Sartre" é um requisitório contra o mandarim do existencialismo francês, escrito na segunda metade da década de 1940, quando Cioran começava a redigir aquele que seria o seu livro de estreia como escritor de língua francesa: o Précis de décomposition (1949).  "O caso Sartre" seria posteriormente descartado, estando… Continue lendo Leitura comparada: “O caso Sartre”, “Sobre um empresário de ideias” – CIORAN

“O animal metafísico” – CIORAN

Se se pudesse apagar tudo o que a Neurose inscreveu no espírito e no coração, todas as marcas malsãs que deixou neles, todas as sombras impuras que a acompanham! O que não é superficial, é sujo. Deus: fruto da inquietude de nossas entranhas e dos borborigmos de nossas ideias… Só a aspiração ao Vazio nos… Continue lendo “O animal metafísico” – CIORAN

O gosto das Ilusões e o gosto da Décadence: Cioran e a lucidez da decepção – Rodrigo MENEZES

Segundo Giovanni Rotiroti, a desilusão de Cioran em relação às suas crenças e esperanças utópicas de outrora começam a despontar antes mesmo do Breviário, em De la France, escrito ainda em romeno (Despre Franţa), na Paris de início da década de 1940, ocupada pelas forças alemãs. Muitas ideias do Précis de décomposition encontram-se enunciadas em… Continue lendo O gosto das Ilusões e o gosto da Décadence: Cioran e a lucidez da decepção – Rodrigo MENEZES

“Anulação pela libertação” – CIORAN

Uma doutrina da salvação só tem sentido se partirmos da equação existência-sofrimento. Não é nem uma constatação súbita, nem uma série de raciocínio o que nos conduz a esta equação, mas a elaboração inconsciente de todos os nossos instantes, a contribuição de todas as nossas experiências, ínfimas ou capitais. Quando carregamos em nós germes de… Continue lendo “Anulação pela libertação” – CIORAN

“O equívoco do gênio” – CIORAN

Toda inspiração procede de uma faculdade de exagero: o lirismo – e todo o mundo da metáfora – seria uma excitação lamentável sem esse ardor que incha as palavras até fazê-las estourar. Quando os elementos ou as dimensões do cosmo parecem demasiado reduzidos para servir de termos de comparação a nossos estados, a poesia só… Continue lendo “O equívoco do gênio” – CIORAN