“O Tradicionalista e o Gnóstico” – Rodrigo Menezes

Se nos buscamos fora de nós mesmos, encontraremos a catástrofe, erótica ou ideológica. Deve ser por isso que Ralph Waldo Emerson, em seu fundamental ensaio “Self-reliance” [Autodependência] (1840), observou que “viajar é o paraíso dos tolos”. [...] Buscar Deus fora do eu é cortejar os desastres do dogma, a corrupção institucional, a malfeitoria histórica e a crueldade.Harold BLOOM,… Continue lendo “O Tradicionalista e o Gnóstico” – Rodrigo Menezes

“Invocação à Insônia” – E.M. CIORAN

Eu tinha dezessete anos e acreditava na filosofia. O que não se referia a ela parecia-me pecado ou lixo: os poetas? saltimbancos aptos para a diversão de mulherzinhas; a ação? imbecilidade delirante; o amor, a morte? pretextos de baixa categoria que se recusavam à honra dos conceitos. Odor nauseabundo de um universo indigno do perfume… Continue lendo “Invocação à Insônia” – E.M. CIORAN

“A experiência, única autoridade, único valor” – Georges BATAILLE

A oposição à ideia de projeto – que assume neste livro uma parte essencial – é tão necessária em mim que, tendo escrito desta introdução o plano detalhado, não posso me ater a ele. Tendo abandonado por um tempo sua execução – escrevendo o postscriptum (que não estava previsto) –, sou obrigado agora a alterá-lo.… Continue lendo “A experiência, única autoridade, único valor” – Georges BATAILLE

“Desígnio e tarefa da lucidez”: primeiro capítulo do Ensayo sobre Cioran, de F. SAVATER

A verdadeira vertigem é a ausência de loucura.La chute dans le temps Será preciso determinar, em primeiro lugar, o que entenderemos por lucidez. Como não pretendo utilizar esta palavra de um modo especial ou inusual, deverei ater-me à definição que dela me brinda o dicionário; talvez possamos encontrar em tal definição os traços que gostaríamos… Continue lendo “Desígnio e tarefa da lucidez”: primeiro capítulo do Ensayo sobre Cioran, de F. SAVATER

“Crítica da servidão dogmática (e do misticismo)”: a Experiência Interior de BATAILLE

Entendo por experiência interior aquilo que habitualmente se nomeia experiência mística: os estados de êxtase, de arrebatamento ou ao menos de emoção meditada. Mas penso menos na experiência confessional, a que os místicos se ativeram até aqui, do que numa experiência nua, livre de amarras, e mesmo de origem, que a prendam a qualquer confissão… Continue lendo “Crítica da servidão dogmática (e do misticismo)”: a Experiência Interior de BATAILLE

Crer ou não crer? Eis a falsa questão, segundo Cioran

Cioran manifestou, em mais de uma ocasião, a opinião de que esta pergunta, assim formulada, é no mínimo uma pergunta mal formulada, se não uma questão fundamentalmente falsa, pertencente à esfera desses preconceitos atávicos e debilitantes que constituem a mentalidade e a cultura de um povo, ou de toda uma civilização Não é fácil falar… Continue lendo Crer ou não crer? Eis a falsa questão, segundo Cioran

“Um Argumento Negligenciado para a Realidade de Deus” – Charles S. PEIRCE

Cognitio: Revista de Filosofia, PUC-SP, São Paulo, v. 4, n. 1, p. 98-133, jan.-jun. 2003 I [452] A palavra “Deus”, assim “em maiúscula” (como nós americanos dizemos), é o nome próprio definível, significando Ens necessarium : segundo minha crença, Realmente criador de todos os três Universos de Experiência. Algumas palavras deverão aqui dentro ser escritas… Continue lendo “Um Argumento Negligenciado para a Realidade de Deus” – Charles S. PEIRCE

“Um argumento negligenciado”: Charles Peirce e a experiência do divino como “devaneio” – Alberto Augusto PERAZZO

Revista CULT, ano 11, n. 131, dezembro de 2008 O pragmaticismo de Charles Peirce aposta na experiência divina como “devaneio” e traz três argumentos para investigar a Realidade de Deus Charles Sanders Peirce (1839-1914), conhecido como o fundador do pragmaticismo (em substituição do “pragmatismo”), apresenta uma reflexão vigorosa sobre o tema do conhecimento fundado na experiência.… Continue lendo “Um argumento negligenciado”: Charles Peirce e a experiência do divino como “devaneio” – Alberto Augusto PERAZZO

Georges BATAILLE: “L’Expérience Intérièure” como un Relato de Desesperación y Éxtasis

Este libro es el relato de una desesperación. Este mundo se le da al hombre como un enigma a resolver. Toda mi vida -sus momentos extraños, desordenados, no menos que mis pesadas meditaciones- se me ha pasado en resolver el enigma. Llegué, efectivamente, hasta el final de problemas cuya novedad y extensión me exaltaron. Habiendo… Continue lendo Georges BATAILLE: “L’Expérience Intérièure” como un Relato de Desesperación y Ã‰xtasis

A centralidade do Coração no processo de cognição e na constituição da subjetividade, segundo Cioran

"Que haja ou não uma solução para os problemas, isso só preocupa uma minoria; que os sentimentos não tenham nenhuma saída, que não venham dar em nada, que se percam neles mesmos, eis o drama inconsciente de todos, o insolúvel afetivo que cada um sofre sem pensar nele."CIORAN, Silogismos da amargura (1952) "Olhando as coisas… Continue lendo A centralidade do Coração no processo de cognição e na constituição da subjetividade, segundo Cioran