“A experiência interior: post-scriptum (1953)” – Georges BATAILLE

Não me sinto à vontade com este livro, em que gostaria de ter esgotado a possibilidade de ser. Não é que me desagrade totalmente. Mas odeio sua lentidão e sua obscuridade. Gostaria de dizer a mesma coisa em poucas palavras. Gostaria de liberar seu movimento, salvá-lo daquilo que o atola. O que, de resto, não… Continue lendo “A experiência interior: post-scriptum (1953)” – Georges BATAILLE

“O Suplício (II)” – Georges BATAILLE

Derrisão! que me digam panteísta, ateu, teísta!… Mas grito ao céu: “não sei nada”. E repito com uma voz cômica (grito ao céu, às vezes, deste jeito): “nada, absolutamente”. O extremo do possível. – No final, aí estamos. Mas tão tarde?… Como, sem o saber, chegamos aí? (em verdade, nada mudou) por um desvio: um… Continue lendo “O Suplício (II)” – Georges BATAILLE

“O Suplício (I)” – Georges BATAILLE

Há nas coisas divinas uma transparência tão grande que escorregamos para o fundo iluminado do riso mesmo a partir de intenções opacas. Vivo de experiência sensível e não de explicação lógica. Tenho do divino uma experiência tão maluca que rirão de mim se falar dela. Entro num beco sem saída. Nele, toda possibilidade se esgota,… Continue lendo “O Suplício (I)” – Georges BATAILLE

“O Tradicionalista e o Gnóstico” – Rodrigo Menezes

Se nos buscamos fora de nós mesmos, encontraremos a catástrofe, erótica ou ideológica. Deve ser por isso que Ralph Waldo Emerson, em seu fundamental ensaio “Self-reliance” [Autodependência] (1840), observou que “viajar é o paraíso dos tolos”. [...] Buscar Deus fora do eu é cortejar os desastres do dogma, a corrupção institucional, a malfeitoria histórica e a crueldade.Harold BLOOM,… Continue lendo “O Tradicionalista e o Gnóstico” – Rodrigo Menezes

“Invocação à Insônia” – CIORAN

Eu tinha dezessete anos e acreditava na filosofia. O que não se referia a ela parecia-me pecado ou lixo: os poetas? saltimbancos aptos para a diversão de mulherzinhas; a ação? imbecilidade delirante; o amor, a morte? pretextos de baixa categoria que se recusavam à honra dos conceitos. Odor nauseabundo de um universo indigno do perfume… Continue lendo “Invocação à Insônia” – CIORAN

“A experiência, única autoridade, único valor” – Georges BATAILLE

A oposição à ideia de projeto – que assume neste livro uma parte essencial – é tão necessária em mim que, tendo escrito desta introdução o plano detalhado, não posso me ater a ele. Tendo abandonado por um tempo sua execução – escrevendo o postscriptum (que não estava previsto) –, sou obrigado agora a alterá-lo.… Continue lendo “A experiência, única autoridade, único valor” – Georges BATAILLE

“Desígnio e tarefa da lucidez”: primeiro capítulo do Ensayo sobre Cioran, de F. SAVATER

A verdadeira vertigem é a ausência de loucura.La chute dans le temps Será preciso determinar, em primeiro lugar, o que entenderemos por lucidez. Como não pretendo utilizar esta palavra de um modo especial ou inusual, deverei ater-me à definição que dela me brinda o dicionário; talvez possamos encontrar em tal definição os traços que gostaríamos… Continue lendo “Desígnio e tarefa da lucidez”: primeiro capítulo do Ensayo sobre Cioran, de F. SAVATER

“Crítica da servidão dogmática (e do misticismo)”: a Experiência Interior de BATAILLE

Entendo por experiência interior aquilo que habitualmente se nomeia experiência mística: os estados de êxtase, de arrebatamento ou ao menos de emoção meditada. Mas penso menos na experiência confessional, a que os místicos se ativeram até aqui, do que numa experiência nua, livre de amarras, e mesmo de origem, que a prendam a qualquer confissão… Continue lendo “Crítica da servidão dogmática (e do misticismo)”: a Experiência Interior de BATAILLE

Crer ou não crer? Eis a falsa questão, segundo Cioran

Cioran manifestou, em mais de uma ocasião, a opinião de que esta pergunta, assim formulada, é no mínimo uma pergunta mal formulada, se não uma questão fundamentalmente falsa, pertencente à esfera desses preconceitos atávicos e debilitantes que constituem a mentalidade e a cultura de um povo, ou de toda uma civilização Não é fácil falar… Continue lendo Crer ou não crer? Eis a falsa questão, segundo Cioran

“Um Argumento Negligenciado para a Realidade de Deus” – Charles S. PEIRCE

Cognitio: Revista de Filosofia, PUC-SP, São Paulo, v. 4, n. 1, p. 98-133, jan.-jun. 2003 I [452] A palavra “Deus”, assim “em maiúscula” (como nós americanos dizemos), é o nome próprio definível, significando Ens necessarium : segundo minha crença, Realmente criador de todos os três Universos de Experiência. Algumas palavras deverão aqui dentro ser escritas… Continue lendo “Um Argumento Negligenciado para a Realidade de Deus” – Charles S. PEIRCE