“O Tradicionalista e o Gnóstico” – Rodrigo Menezes

Se nos buscamos fora de nós mesmos, encontraremos a catástrofe, erótica ou ideológica. Deve ser por isso que Ralph Waldo Emerson, em seu fundamental ensaio “Self-reliance” [Autodependência] (1840), observou que “viajar é o paraíso dos tolos”. [...] Buscar Deus fora do eu é cortejar os desastres do dogma, a corrupção institucional, a malfeitoria histórica e a crueldade.Harold BLOOM,… Continue lendo “O Tradicionalista e o Gnóstico” – Rodrigo Menezes

Iluminismo & Romantismo – Harold BLOOM

A NOSSA DEFINIÇÃO CLÁSSICA daquilo que o sublime literário reivindica pode ser encontrada nas sentenças iniciais de The romantic sublime O sublime romântico de Thomas Weiskel: A alegação essencial do sublime é que o homem pode, no sentimento e na linguagem, transcender o humano. O que se encontra além do humano, se é que algo… Continue lendo Iluminismo & Romantismo – Harold BLOOM

“O emigrado metafísico: o gnóstico” (Sylvie Jaudeau)

A atitude gnóstica constitui, com efeito, a chave de uma obra representativa das tendências contraditórias deste século: niilismo, angelismo, revolta e fatalismo. Mais precisamente, ela nos fornece a resposta a esta questão que não falha em colocar-se a propósito de Cioran: como o niilismo é compatível com uma criação literária? O ato literário em si… Continue lendo “O emigrado metafísico: o gnóstico” (Sylvie Jaudeau)

A música de Bach, “geradora de divindade” – CIORAN

Cioran amava Bach acima de tudo. Se a Música era para ele a quintessência da "cultura", e a única justificativa da Humanidade, Bach era a quintessência da Música: um Deus musical. A sua obra como um todo está cheia de elogios à Música em geral e a Bach em particular. Nos Silogismos da amargura (1952), este… Continue lendo A música de Bach, “geradora de divindade” – CIORAN

“Aquele que diz sim, aquele que diz não: religiosidade e heresia” – Marília FIORILLO

Revista Estudos de Sociologia, v. 18, n. 34, 2013 RESUMO: Imaginação e religião entronizada são antitéticas. O dogma, cerne das grandes religiões monoteístas, nada mais é que uma diligente e metódica rejeição à curiosidade, autonomia e inventividade. É nesta relação assimétrica entre aquele que ignora, teme e suplica, e o Outro que tudo sabe e… Continue lendo “Aquele que diz sim, aquele que diz não: religiosidade e heresia” – Marília FIORILLO

Gnose e imaginação poética, por Harold Bloom

Desejo acentuar aqui, no início, minha própria convicção de que é infrutífero literalizar ou descartar a experiência espiritual -- antiga, medieval ou contemporânea. Essa convicção é pragmática, e sigo William James no reconhecer as experiências religiosas importantes como autênticas diferenças: uma das outras e entre nós. Para muitos dos antigos, os fenômenos dos anjos, sonhos… Continue lendo Gnose e imaginação poética, por Harold Bloom

“Insolência e imaginação” (Marília Fiorillo)

O santo ascético e o sábio desapaixonado não são seres humanos completos. Um pequeno número deles poderá enriquecer uma comunidade, mas um mundo composto de tais criaturas morreria de tédio. BERTRAND RUSSELL, Por que não sou cristão Desordenada, tumultuada, mítica, lírica, a dicção gnóstica é mais rica e conturbada que a canônica. Nela, tudo é… Continue lendo “Insolência e imaginação” (Marília Fiorillo)

“A criação sem amanhã” (Albert Camus)

AGORA PERCEBO, então, que a esperança não pode ser eludida para sempre e que pode assaltar os mesmo que se achavam livres dela. Este é o interesse das obras examinadas até aqui. E poderia, ao menos na ordem da criação, enumerar algumas obras verdadeiramente absurdas (Moby Dick de Melville, por exemplo). Mas tudo requer um… Continue lendo “A criação sem amanhã” (Albert Camus)

“De inutensílios e dessantidades: a palavra poética em Manoel de Barros e Cioran” – Rodrigo MENEZES

Ninguém é pai de um poema sem morrer.Manoel de Barros Se leio um livro e ele torna o meu corpo tão frio que nenhum fogo seria jamais capaz de me aquecer, eu sei que aquilo é poesia. Se eu sinto, fisicamente, como se o topo de minha cabeça tivesse sido arrancado, eu sei que aquilo é poesia.Emily Dickinson CIORAN NÃO TEVE a oportunidade de conhecer este gigante, e… Continue lendo “De inutensílios e dessantidades: a palavra poética em Manoel de Barros e Cioran” – Rodrigo MENEZES

Apontamentos sobre o Enigma Gnóstico

por Marilia Fiorillo Doutora em  História Social pela USP e professora da ECA-USP PDF Resumo: Desde a divulgação, no final dos anos 70, da Biblioteca de Nag Hammadi (BNH), os estudos sobre o gnosticismo, especialmente o cristão, tiveram destaque na discussão acadêmica. Este artigo, cujo referencial teórico são as obras de Hans Jonas e E.R. Dodds,… Continue lendo Apontamentos sobre o Enigma Gnóstico