M̼sica & Ceticismo РE.M. Cioran

Busquei a Dúvida em todas as artes e só a encontrei camuflada, furtiva, dissipada nos entreatos da inspiração, surgida do relaxamento do impulso; mas renunciei a buscá-la – mesmo sob essa forma – em música; aí não poderia florescer: ignorando a ironia, a música procede não das malícias do intelecto, mas dos matizes ternos ou… Continue lendo Música & Ceticismo – E.M. Cioran

“Não se pode rezar sem fazer a vontade do diabo” – E.M. CIORAN

Um rancor bem firme, bem vigilante, pode constituir, sozinho, o sustentáculo de um indivíduo: a debilidade de caráter procede, na maioria das vezes, de uma memória enfraquecida. Não esquecer a injúria é um dos segredos do êxito, uma arte que possuem sem exceção os homens de convicções fortes, pois toda convicção é feita principalmente de… Continue lendo “Não se pode rezar sem fazer a vontade do diabo” – E.M. CIORAN

“A experiência, única autoridade, único valor” – Georges BATAILLE

A oposição à ideia de projeto – que assume neste livro uma parte essencial – é tão necessária em mim que, tendo escrito desta introdução o plano detalhado, não posso me ater a ele. Tendo abandonado por um tempo sua execução – escrevendo o postscriptum (que não estava previsto) –, sou obrigado agora a alterá-lo.… Continue lendo “A experiência, única autoridade, único valor” – Georges BATAILLE

Abaixo as Verdades Sagradas – Harold BLOOM

POR VOLTA DO ANO 100 ANTES DA ERA COMUM, um fariseu compôs o que a tradição chamou o Livro dos Jubileus, título exuberante para obra tão medíocre. Esse texto prolixo é também conhecido como o Pequeno Gênesis, uma estranha denominação, pois é muito mais longo do que o Gênesis e compreende também o Êxodo. Não… Continue lendo Abaixo as Verdades Sagradas – Harold BLOOM

“Crítica da servidão dogmática (e do misticismo)”: a Experiência Interior de BATAILLE

Entendo por experiência interior aquilo que habitualmente se nomeia experiência mística: os estados de êxtase, de arrebatamento ou ao menos de emoção meditada. Mas penso menos na experiência confessional, a que os místicos se ativeram até aqui, do que numa experiência nua, livre de amarras, e mesmo de origem, que a prendam a qualquer confissão… Continue lendo “Crítica da servidão dogmática (e do misticismo)”: a Experiência Interior de BATAILLE

Itinerarium Musicae in Delirium: “What You Don’t Know Is Frontier”, a música drone de ASVA

"Eu abuso da palavra Deus. Utilizo-a com frequência, demasiada frequência. Faço-o toda vez que toco um limite e preciso de uma palavra para designar o que vem depois. Prefiro Deus ao inconcebível." CIORAN, Aveux et anathèmes (1987) ASVA é um projeto de música experimental criado nos EUA por G. Stuart Dahlquist, com uma formação rotativa… Continue lendo Itinerarium Musicae in Delirium: “What You Don’t Know Is Frontier”, a música drone de ASVA

Obsolescência Humana Programada, o Crepúsculo da Inteligência e a Espiritualidade das Máquinas – Peter SLOTERDIJK

Fica subentendido que, dentro do esquema clássico das transações entre Deus, alma e mundo, nenhuma inteligência adicional pode entrar no mundo: e isso parece ser desnecessário, pois o Deus da criação ou da natureza já lhe concedeu tanta ordem de sua riqueza insuperável quanto a criação precisa para seu sustento. Nem mesmo o ser humano… Continue lendo Obsolescência Humana Programada, o Crepúsculo da Inteligência e a Espiritualidade das Máquinas – Peter SLOTERDIJK

“Cosmogonia de Delirium Tremens” e a Patogênese do Humano: Duas Alegorias Gnósticas

Dir-se-ia que cabe aos doentes revelar-nos a irrealidade dos sentimentos puros, que essa é sua missão e o sentido de suas provações. Nada mais natural, pois neles se concentram e se exacerbam as taras de nossa raça. Depois de haver peregrinado através das espécies, e lutado com maior ou menor êxito para nelas imprimir sua… Continue lendo “Cosmogonia de Delirium Tremens” e a Patogênese do Humano: Duas Alegorias Gnósticas

Divina Impotência e a “Carreira Triunfal do Mal”: Cioran e o Ateísmo Místico como Sabedoria da Insegurança

Cioran concorda com Arthur Schopenhauer em que a filosofia não tem o seu ponto de partida em um eventual maravilhamento, cheio de graça e júbilo, diante do "milagre" do Ser, da evidência de que "algo é", "há seres e ser", sempre em devir, devindo, fluindo, confluindo, em sua ininterrupta duração (la durée, segundo Bergson). O… Continue lendo Divina Impotência e a “Carreira Triunfal do Mal”: Cioran e o Ateísmo Místico como Sabedoria da Insegurança

Harold Bloom: por que Shakespeare é considerado o “Inventor do Humano”?

EXISTEM APENAS TRÊS INFLUÊNCIAS literárias significativas em Shakespeare: Marlowe, Chaucer e a Bíblia inglesa. Marlowe foi engolido por Shakespeare, como um peixinho por uma baleia, embora Marlowe tivesse um ressaibo forte o bastante para induzir Shakespeare a algumas alusões deturpadas. Podemos inferir que Marlowe tornou-se uma advertência para Shakespeare: o caminho a não seguir. Chaucer… Continue lendo Harold Bloom: por que Shakespeare é considerado o “Inventor do Humano”?