“Quem é Alexandr Dugin, o guru ocultista de Putin” – Lorenzo LAZZAROTTO

Alexander Dugin é, sem dúvida, uma das mentes mais importantes na Rússia contemporânea. Mas qual a formação desse homem, que, na virada dos anos 2000 saiu do mais completo anonimato para se tornar o intelectual por trás do regime de Putin, ao ponto de suas obras terem se tornado leituras obrigatórias para a formação de novos oficiais do exército russo – isso há mais de 20 anos?!

Dugin nasceu em Moscou em 1962, e na juventude desiludiu-se profundamente com o regime soviético e com as noções de ateísmo, progresso e modernidade. Buscando uma espiritualidade em movimentos anti-sistema, adentrou no círculo de Yuzhinski (южинский кружок) grupo dedicado ao estudo e prática de ocultismo, satanismo, magia e contra-cultura em geral liderado pelo escritor Yuri Memleev.

Nesse grupo será moldado o caráter e a formação de Dugin, tendo como seu mentor Yevgeny Vsevolodovich Golovin, profundo estudioso e adepto do Ocultismo n@zista da SS.

Dugin tomou contato com a escola do Falso Tradicionalismo, mais conhecido como Perenialismo através desse grupo e do estudo das obras dos ocultistas Julius Évola e René Guénon. Passou a se relacionar com movimentos da suposta ‘nova direita’ européia que eram defensores de uma síntese entre o nacionalismo radical e o comunismo como sendo alternativas à decadência da sociedade moderna.

Entre os ocultistas defensores dessa posição e próximos a Dugin estão os franceses Alain Benoist e o satanista Christian Bouchet, membro da Ordo Templi Orientis, a organização satanista cujo maior expoente foi Alesteir Crowley, homenageado por Dugin em uma cerimonia em Moscou em 1995.

Após sair do partido Nacional Bolchevique, do qual foi membro fundador, Dugin se dedicou a escrever livros, e a partir de 1997 com o lançamento de “Fundamentos da Geopolítica” Dugin torna-se uma figura célebre na política russa, sendo apadrinhado pelo oligarca Aleksandr Taranzev e em pouco tempo apontado como assessor sênior do presidente do Parlamento russo Gennadiy Seleznyov.

Estreitando seus laços com os apoiadores do então recém eleito Presidente Vladimir Putin; Dugin lançou em 2001 o movimento Evrasia; propondo uma síntese do totalitarismo anti-capitalista da União Soviética com o falso tradicionalismo ocultista presente nos ambientes n@azi-fascistas.

Entre os primeiros membros do movimento figuram o antigo ministro da cultura Aleksandr Sokolov; o deputado da alta casa do parlamento russo Aleksandr Torchin; o acessor de Putin para a região do Cáucaso Aslambek Aslakhanov;o Mufti (líder muçulmano) da Rússia Talgat Tajuddin, o membro do Ministério das Relações Exteriores Igor Panarin, o General Nikolai Klokotov, chefe do departamento de estratégia do Estado-Maior russo e Mikhail Leontyev, repórter considerado o jornalista favorito de Putin.

A influencia de Dugin cresceu ao ponto de analistas políticos considerarem a ocupação da Criméia pelos russos em 2014 como consequência direta da influencia das teorias e do movimento Eurasiano; e, se às vezes Dugin criticou Putin, foi apenas porque o Ditador russo não levou (ainda) até às últimas consequências sua política anti-americana.

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