A diferença entre místicos e santos – CIORAN

A diferença entre místicos e santos. Os primeiros se limitam à visão interior; os últimos a realizam na prática. A santidade extrai as consequências da mística, especialmente as éticas. Um santo é um místico; um místico pode não ser um santo. A caridade não é necessariamente um atributo do místico; Sem ela, por outro lado, não se pode conceber a santidade. A mística e a ética, transpostas para um plano sobre-humano, fazem nascer o inquietante fenômeno da santidade. Os místicos se comprazem numa sensualidade celeste, na volúpia nascida do seu comércio com os céus; somente os santos assumem o fardo dos outros, o sofrimento dos outros, somente eles intervêm na prática. Diante do místico puro, o santo é um homem político. Além disso, é o mais ativo dos homens. Que, no entanto, a vidas agitadas dos santos não sejam propriamente biografias, explica-se pelo fato de que sua atividade se desdobra numa única linha; variações sobre o mesmo motivo, paixão absoluta numa única dimensão.


Diferența dintre mistici și sfinți. Primii râmîn numai la viziunea interioară; cei din urmă o realizează practic. Sfințenia trage consecințele misticii; in special pe cele etice. Un sfînt este mistic ; un mistic poate să nu fie sfînt. Caritatea nu este neapărat un atribut al misticii ; fără ea nu putem concepe sfințenia. Mistica și etica, transpuse pe un plan suprauman, dau naștere la fenomenul tulburător al sfințeniei. Misticii se complac într-o senzualitate cerească, in voluptăți născute din tangența lor cu bolțile ; numai sfinţii iau greul altora, suferințele celor necunoscuți și numai ei intervin practic. Fată de misticul pur, sfîntul este un om politic. Alături de acesta, el e cel mai activ dintre oameni. Că totuși viețile agitate ale sfinților nu sînt propriu-zis biografii, explicația este in faptul că activitatea lor Se desfășoară pe o singură linie; variații pe același motiv; pasiune absolută pe o singură dimensiune.

CIORAN, Emil, Lacrimi și sfinți. București: Humanitas, 1991, p. 9. Trad. de Rodrigo Menezes.


Sabe, no fundo é preciso separar a religião da mística. Talvez não completamente, mas a mística é algo à parte. É pela mística que os ocidentais se unem aos orientais. Lá também, a visão mística é inconcebível sem a experiência. Um místico sem êxtase não existe. Portanto, é preciso ter atravessado. O que é interessante é que a experiência mística é formulada quase nos mesmos termos nas duas civilizações, tão diferentes.


Vous savez, au fond, il faut séparer la religion de la mystique. Peut-être pas complètement, mais la mystique est quelque chose à part. C’est par les mystiques que les Occidentaux rejoignent les Orientaux. Là aussi, la vision mystique est inconcevable sans l’expérience. Un mystique qui n’a pas d’extase n’existe pas. Donc, il faut avoir traversé. Ce qui est intéressant, c’est que l’expérience mystique est formulée presque dans les mêmes termes dans les deux civilisations, si différentes.

CIORAN, Entretien avec Léo Gillet, Entretiens. Paris: Gallimard, 1995. Trad. de Rodrigo Menezes.

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